Empresários exageram em acusação de totalitarismo, diz Evo

Presidente nega ainda que o Executivo pretenda controlar o Poder Judiciário

Agencia Estado

04 Julho 2007 | 17h28

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta terça-feira que é um "exagero" a acusação de totalitarismo formulada pelos principais líderes empresariais do país, com quem se reuniu no Palácio do Governo. Morales se reuniu durante três horas com o presidente da Confederação de Empresários Privados da Bolívia (CEPB), Roberto Mustafá, e os dirigentes empresariais de oito dos nove departamentos do país. O delegado de Oruro não conseguiu chegar a La Paz devido a um bloqueio nas estradas. "Se disserem que o Governo é totalitário e não respeita a democracia, lamento muito. Mas, com muita sinceridade, sinto que é um exagero", disse Morales, após ouvir uma seqüência de críticas nas áreas política, econômica e social. O encontro foi transmitido pelo canal estatal. Nele, os empresários criticaram o suposto autoritarismo de Morales, a prorrogação no poder defendida por seu partido, o Movimento Ao Socialismo (MAS), e seus ataques ao Poder Judiciário. Também acusaram o governo esquerdista de ter "um discurso duplo" sobre a reforma agrária, de "não admitir o dissenso" político, de não governar para todos os setores, e de pôr "sua ideologia acima da realidade" ao assinar acordos comerciais com a Venezuela e Cuba, em vez de buscar um entendimento com os Estados Unidos. "Estamos sendo os filhos desprezados, quando deveríamos ser os filhos mimados, porque contribuímos com 65% do Produto Interno Bruto (PIB)", disse Mustafá. Em resposta, Morales lembrou que chegou ao poder com 54% dos votos. Além disso, atualmente, segundo as últimas enquetes, o seu apoio popular chega a 67%, e o do Governo, 74%. O presidente negou ainda que o Executivo pretenda controlar o Poder Judiciário. Mas voltou a acusar o Tribunal Constitucional de emitir decisões políticas. O líder boliviano disse aos empresariais que o setor deve regularizar seus impostos. Segundo relatórios atualizados do Serviço de Imposto Nacionais, as dívidas acumuladas chegam a cerca de US$ 230 milhões. Morales afirmou que o Governo não expropria empresas bolivianas e respeita a sua segurança jurídica. E respondeu às criticas por declarar uma reserva fiscal nas áreas de mineração, dizendo que não podiam pedir que ele permitisse o "leilão dos recursos naturais" ou que respeitasse o modelo neoliberal.

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