Empresários libaneses fazem greve pela paz

Os sindicatos patronais do Líbano decretaram uma greve de dois dias de duração para tentar tirar o país da crise, agravada após o assassinato do ministro da Indústria, Pierre Gemayel, na terça-feira. A greve foi convocada por organizações patronais e câmaras de comércio e indústria. Os pequenos comerciantes, pelo menos os que trabalham no centro de Beirute, não aderiram. O movimento inclui indústrias, bancos, atrações turísticas e até fazendas. "O objetivo da greve é levar nossa mensagem àqueles que tomaram o Líbano como refém, e também para enfrentar a criminalidade", afirmou Adnan Kassar, presidente da Câmara de Comércio. As principais reivindicações não são econômicas, e sim políticas. Os empresários querem o retorno ao governo dos seis ministros que pediram demissão, a aprovação pelo Parlamento de um tribunal internacional para julgar os assassinatos políticos no país e a retomada do diálogo nacional. "Se as reivindicações não forem atendidas, no domingo recorreremos a medidas mais graves", afirmaram ao jornal L´Orient-Le Jour fontes ligadas às entidades. O presidente da Associação de Industriais do Líbano, Fadi Abud, disse que "manter a situação atual equivale ao suicídio", e que as classes produtivas "não podem ficar de braços cruzados". Os empresários estudam também exigir a renúncia do presidente da República, a convocação de eleições antecipadas e a formação de um governo de união nacional. Em várias ocasiões, as organizações empresariais tinham alertado para uma deterioração dos indicadores econômicos. No Líbano, a divisão entre os grupos contra e a favor da Síria é acentuada pelo debate sobre a conveniência de um tribunal internacional para julgar os assassinos do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri e outros crimes políticos. Neste sábado, o governo deve se reunir para tentar criar o tribunal. Mas a ausência dos seis ministros demissionários, todos pró-Síria, levanta dúvidas sobre a viabilidade da reunião.

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