Empresários são detidos por não congelar preços no Zimbábue

A polícia do Zimbábue deteve nas últimas duas semanas mais de 1.300 comerciantes e empresários que supostamente ignoraram uma ordem governamental de reduzir os preços. A medida visa combater a hiperinflação no país - a mais alta do mundo -, mas está provocando desabastecimento.As detenções foram confirmadas à agência Efe pelo porta-voz da polícia Oliver Mandipaka, que ressaltou que alguns dos detidos serão levados na terça-feira, 10, aos tribunais e acusados de desafiar ordens do governo.Além disso, Mandipaka disse que vários diretores de empresas pagaram uma multa admitindo seus delitos, e foram libertados logo depois.O porta-voz advertiu ao mesmo tempo que o governo pensa em ampliar suas operações contra outros comerciantes e empresários que se negam a reduzir os preços ao consumidor, como também contra os vendedores que operam no mercado negro.Entre outros empresários, encontram-se detidos Michael Fowler e Zed Koudanaris, diretores da maior distribuidora de alimentos e restaurantes de fast food do Zimbábue, e Gavin Sainsbury, gerente executivo do maior fabricante de produtos de carnes de porco.Segundo o jornal estatal Herald, o maior número de detenções aconteceu na cidade de Bulawayo (sul), na província de Matabelelândia Sul, onde há 414 empresários detidos.FalênciasOs diretores de empresas afirmam que as reduções nos preços ordenadas pelo governo os forçará a fechar suas companhias.Os fabricantes, cujas indústrias já estão trabalhando a um terço de sua capacidade, asseveram que a alta nos preços é plenamente justificada porque eles devem passar para a cadeia até o consumo o custo das moedas estrangeiras necessárias para importar as matérias-primas que lhes permitam continuar produzindo.Mas as autoridades de Harare os acusam de fazer parte de uma campanha política e econômica orquestrada pelo Ocidente para derrubar o presidente zimbabuano, Robert Mugabe, que ocupa o poder desde a independência do país do Reino Unido, em 1980.O Índice anualizado de Preços ao Consumidor (IPC) no Zimbábue aumentou no final de maio para 4.530%, o maior do mundo, mas instituições financeiras independentes estimam que o verdadeiro nível da inflação no país ronda atualmente os 9.000% ao ano.Na sexta-feira passada, 6, a União Nacional Africana do Zimbábue (Zanu) adotou duras medidas contra as firmas que desafiam o congelamento de preços decretado no final de junho passado pelo governo de Mugabe, que ordenou cortes nos valores aos níveis registrados até o dia 18 desse mês.Corrida às lojasA medida governamental, que causou uma corrida às lojas entre a população na tentava de tirar proveito das reduções de preços aceitas por alguns comerciantes, entrou em vigor depois que o preço de artigos da cesta básica triplicaram em menos de uma semana.Mugabe ameaçou na sexta-feira passada ocupar e nacionalizar as companhias que não aderirem ao congelamento de preços. O Zimbábue, outrora um dos países mais prósperos da África meridional, se encontra imerso desde 2000 em uma profunda crise econômica, caracterizada pela hiperinflação, um alto índice de desemprego, a pobreza e uma crônica escassez de combustíveis, alimentos e moedas estrangeiras.Os economistas antecipam que o congelamento de preços irá acabar afundando o que ainda está de pé na indústria zimbabuana, já que os fabricantes não poderão continuar produzindo com prejuízo.

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