PASCAL PAVANI / AFP
PASCAL PAVANI / AFP

Empresas aéreas suspendem voos sobre Estreito de Ormuz por tensões entre EUA e Irã

Companhias como British Airways, Qantas, KLM e Singapore Airlines alteraram trajeto de seus voos entre Europa e Ásia por questão de segurança; Washington proíbe aéreas americanas de voarem na região por 'aumento das atividades militares'

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2019 | 10h01
Atualizado 22 de junho de 2019 | 14h08

LONDRES - Algumas das mais importantes empresas aéreas do mundo, incluindo British Airways, Qantas, KLM e Singapore Airlines suspenderam nesta sexta-feira, 21, todos os seus voos que passavam sobre o Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, em razão da tensão entre Irã e Estados Unidos após Teerã abater um drone de vigilância de Washington.

Além disso, o governo americano proibiu que os voos comerciais do país entrem no espaço aéreo controlado pelo Irã no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã "até nova ordem".

As restrições foram motivadas pelo aumento das "atividades militares intensificadas e às crescentes tensões políticas na região, o que representa um risco involuntário para as operações da aviação civil americana e possibilidades de erros de cálculo ou de identificação", afirmou a Administração Federal de Aviação (FAA, em inglês) dos Estados Unidos. 

"O risco para a aviação civil dos Estados Unidos fica demonstrado pelo míssil terra-ar iraniano que abateu um sistema americano não tripulado", completou a FAA.

Companhias europeias e asiáticas também tomaram medidas similares. "O incidente com o drone é uma razão para não sobrevoar o Estreito de Ormuz no momento. É uma medida de precaução", afirmou a KLM em um comunicado, no qual destaca que a segurança é "prioridade absoluta" da empresa. A Lufthansa também anunciou que decidiu que seus voos devem "evitar o evitar o Estreito de Ormuz no Golfo Pérsico".

O Irã derrubou na quinta-feira um drone americano que estava, segundo Teerã, em seu espaço aéreo. A informação foi desmentida pelo governo dos Estados Unidos.  Washington e Teerã travam uma batalha de comunicação sobre a localização exata do drone da Marinha americana no momento do ataque. 

Precedente trágico

A Holanda ainda continua traumatizada pelo abate em 2014 do voo MH17 da Malaysia Airlines, atingido por um míssil quando sobrevoava a região de Donetsk, no leste da Ucrânia, onde separatistas pró-Rússia enfrentam forças governamentais ucranianas.

Os 298 ocupantes - 196 deles, holandeses - do avião, que fazia a rota entre Amsterdam e Kuala Lumpur, morreram no incidente. Este incidente obrigou as empresas aéreas a evitar o espaço aéreo ucraniano na muito utilizada rota entre Europa e Ásia.

Sobre as tensões entre o Irã e os Estados Unidos, a Malaysia Airlines disse que "acompanha de perto a situação e está atenta aos relatórios de segurança" das autoridades aéreas.

Por sua vez, a australiana Qantas anunciou que estão "adaptando as rotas de voos sobre o Oriente Médio para evitar o Estreito de Ormuz e o Golfo de Omã até novo aviso".

A Singapore Airlines fez o mesmo e indicou que alguns de seus voos "tomarão rotas um pouco mais longas para evitar a área do Estreito de Ormuz".

Até agora, nenhuma outra grande empresa do Oriente Médio, como a Emirates e a Etihad, se pronunciou sobre essa questão. As rotas aéreas entre a Europa e a Ásia já foram afetadas desde fevereiro devido às restrições do Paquistão em grandes áreas do seu espaço aéreo devido a confrontos com sua rival e vizinha, Índia./ AFP

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