Chris Kleponis/Pool via EFE/EPA
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Empresas, bancos e até associação de golfe param de fazer negócios com a Organização Trump

Entre os que se afastaram está o principal credor de Trump, o Deutsche Bank, a quem o presidente deve mais de US$ 300 milhões

The New York Times, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2021 | 10h00
Atualizado 13 de janeiro de 2021 | 17h20

Empresas e instituições anunciaram que vão parar de fazer negócios com a Organização Trump, o grupo empresarial em que Donald Trump fez sua fortuna, alegando estarem reagindo à invasão do Congresso por apoiadores do presidente.

A marca de Donald Trump, cuja estética se baseia em cores douradas e uma clientela superabastada, pode não se recuperar totalmente das consequências, dizem analistas do ramo hoteleiro e pessoas próximas aos empreendimentos.

As consequências começaram na quinta-feira, quando o provedor de comércio eletrônico Shopify disse que fechou as lojas on-line afiliadas à organização. No domingo, a Associação Profissional de Golfe dos Estados Unidos (PGA) anunciou que excluiria o clube de golfe de Trump em Nova Jersey de um grande torneio.

Trump ficou "exasperado" com a decisão do PGA, de acordo com uma pessoa próxima à Casa Branca, já que trabalhou pessoalmente durante anos para pressionar os executivos do torneio a realizarem eventos em seus espaços.

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O Deutsche Bank, que tem sido o principal credor de Trump por duas décadas, decidiu não fazer negócios com Trump ou com sua empresa no futuro, de acordo com uma fonte do banco à CNN. Trump deve ao Deutsche Bank mais de US$ 300 milhões, com vencimento nos próximos anos. Um porta-voz do Deutsche Bank se recusou a falar sobre o assunto com a emissora, citando a proibição de discutir relações com clientes em potencial.

Não está claro como o Deutsche Bank vai lidar com os empréstimos depois que Trump deixar a Casa Branca, especialmente com o hotel e os negócios de hospitalidade em declínio acentuado devido à pandemia. Os empréstimos vencem em 2023 e 2024.

Outro parceiro financeiro de longa data de Trump, o Signature Bank, também está cortando relações. O banco — que ajudou Trump a financiar seu campo de golfe na Flórida e onde Ivanka Trump, a filha do presidente, já foi membro do conselho — emitiu um comunicado pedindo a Trump que renuncie ao cargo de presidente, “fazendo o melhor para a nossa nação e o povo americano."

O banco disse que começou a fechar as contas pessoais de Trump e pediu a renúncia do presidente. O banco americano também disse que "não fará negócios no futuro com nenhum membro do Congresso que votou contra o [resultado] do Colégio Eleitoral".

A Organização Trump já enfrentava consideráveis problemas financeiros. Com mais de US$ 300 milhões em dívidas com vencimento nos próximos anos que o presidente garantiu pessoalmente, havia certa urgência para a empresa fechar novos negócios.

A organização está sendo investigada pelo escritório do promotor distrital de Manhattan e pelo procurador-geral do Estado de Nova York, e ambos intimaram o Deutsche Bank a esclarecer seus empréstimos para a empresa.

Os promotores investigam se a Organização Trump enganou ou fraudou o banco ao inflar o valor de alguns de seus ativos, de acordo com os documentos judiciais.

A prefeitura de Nova York também cancelou os contratos com a empresa de Trump nesta quarta-feira, 13. 

"O presidente incitou a uma rebelião contra o governo dos EUA que matou cinco pessoas e ameaçou impedir a transferência constitucional do poder", explicou o prefeito nova-iorquino, Bill de Blasio, em comunicado.

O político democrata afirmou que "a cidade de Nova York não vai estar associada de nenhuma forma a esses atos imperdoáveis e tomará medidas imediatas para dar fim a todos os contratos com a Organização Trump".

A prefeitura cancelará os contratos que tem com a empresa para operar um carrossel no Central Park, duas pistas de patinação sobre o gelo e um campo de golfe. /COM EFE

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