Empresas brasileiras culpam Equador por falha na apuração

O consórcio brasileiro E-Vote, contratado para contabilizar os votos na eleição presidencial do Equador, culpou à justiça eleitoral daquele país pelos atrasos na divulgação dos resultados. Segundo Gilberto Freitas, diretor financeiro da Probank e da Via Telecom, duas empresas mineiras que fazem parte do consórcio, atrasos na assinatura do contrato com o Tribunal Supremo Eleitoral do Equador retardaram em duas semanas a liberação de equipamentos. "Os equipamentos ficaram retidos na aduana enquanto não assinavam o contrato e de três testes preliminares previstos só conseguimos fazer um", disse Freitas, que negou que a Justiça eleitoral tenha rescindido um contrato de US$ 5,2 milhões, como foi anunciado pelas autoridades equatorianas no dia das eleições. Pelo contrato, o E-Vote deveria ter anunciado o resultado das eleições presidenciais às 17 horas do domingo, três horas após o final da votação. No entanto, o sistema entrou em colapso às 20 horas, com 70% da apuração presidencial.O executivo diz que os testes foram feitos em cima de um modelo de atas de apuração diferente da ata apresentada no dia da eleição. "Preparamos o sistema para receber um tipo de ata, com uma ordem dos partidos, e no dia da eleição os servidores receberam atas diferentes e não reconheceram a informação", diz ele. As trapalhadas não pararam por aí. O E-vote também acusa a AndinaTel, empresa de telecomunicações equatoriana contratada pela Justiça eleitoral para fazer a transmissão de dados de ineficiência. "As chamadas caiam a todo instante e, com isso, muitas atas foram perdidas e tivemos que retransmitir."Acusado pela imprensa equatoriana de abandonar o país após o fracasso da contabilização dos votos no prazo previsto, o E-vote nega que seus executivos tenham "fugido". "Nenhum funcionário abandonou o país. Ao contrário, tivemos que recrutar emergencialmente centenas de digitadores para digitar manualmente 36 mil atas e atender o cliente", afirmou Freitas. Ele também nega qualquer acusação de fraude no processo.Freitas explica que o contrato com o TSE previa apenas a totalização de votos para fins "claramente informativos". "É para antecipar a divulgação dos resultados para os meios de comunicação, o público e os partidos", explica Freitas. "Não é a totalização oficial, que é de responsabilidade da justiça eleitoral." E diferentemente do Brasil, onde a Probank e Via Telecom são responsáveis por todo o processo de votação - da instalação das urnas em cada seção eleitoral à transmissão de dados aos tribunais eleitorais - no Equador a eleição não é informatizada. "Temos batido recordes de totalização de votos no Brasil a cada ano."

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