Empresas brasileiras resgatam funcionários

Pelo menos 128 cidadãos do País deixam a capital, Trípoli, em operação de resgate

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 00h00

As empresas brasileiras que têm negócios na Líbia conseguiram retirar, em segurança, parte de seus funcionários e parentes ontem. Pelo menos 128 colaboradores brasileiros da Odebrecht, Petrobrás e Andrade Gutierrez deixaram a capital Trípoli. Os 148 funcionários e parentes da Queiroz Galvão também poderiam ser resgatados de Benghazi ainda ontem.

Alegando questões de segurança, as empresas não quiseram agendar entrevistas com seus funcionários e só forneceram detalhes dos itinerários de resgate quando eles já estavam fora da Líbia.

A operação de retirada dos trabalhadores da Andrade Gutierrez se deu, de acordo com nota da assessoria de imprensa da construtora, em quatro etapas. "Na primeira, os familiares (6 portugueses e 3 brasileiros); na segunda, 32 colaboradores (30 portugueses e 2 brasileiros); na terceira, 6 colaboradores (5 brasileiros e 1 argelino); e na última etapa - finalizada hoje (ontem) - mais 187 colaboradores (180 vietnamitas; 1 português; 4 brasileiros; 1 paquistanês e 1 argelino). O transporte foi realizado em voo charter, contratado pela Andrade Gutierrez, voos comerciais e um avião C-130 da Força Aérea Portuguesa."

A Odebrecht informou que um voo fretado chegou de Trípoli a Malta ontem pela manhã, com 466 pessoas. Entre elas, estavam todos os seus funcionários e familiares brasileiros, num total de 107. Foi neste voo também que quatro funcionários da Petrobrás e seus três familiares escaparam da Líbia, além de 332 trabalhadores da Odebrecht e seus familiares de 23 nacionalidades. Em nota, a construtora acrescentou que "em Malta, as pessoas estão sendo abrigadas em hotéis e a Odebrecht providenciará, em voos fretados e de carreira, a condução de todos aos seus países de origem."

Navio. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou ontem que quase todos os brasileiros que estavam na Líbia já foram retirados, com exceção dos 148 que estão em Benghazi (em sua maioria funcionários da Queiroz Galvão), dos funcionários da embaixada brasileira e de alguns trabalhadores designados para permanecer no comando das operações.

Na quarta-feira, um navio saiu de Atenas, na Grécia, e se dirigiu a Líbia para resgatar o grupo de 148 brasileiros. De acordo com o Itamaraty, por volta das 18h de ontem, o navio já estava em Benghazi, onde a retirada de brasileiros por avião está inviabilizada pelos estragos na pista do aeroporto. Ainda não havia previsão de quando atracaria ou deixaria o país.

Cooperação. Depois de não receber autorização de pouso de voos fretados em Trípoli, os Estados Unidos mandaram, na quarta-feira, um navio para retirar estrangeiros da capital líbia, a maioria americanos. Por causa do mau tempo, a embarcação não pôde deixar o país. O porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, declarou que o navio, com 285 passageiros, deveria partir ainda ontem com direção a Malta.

Na quarta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, teria prometido ao chanceler Antonio Patriota, em Washington, que a embarcação americana em Trípoli poderia resgatar brasileiros também.

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