YouTube via AFP
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Empresas de mídia e personalidades criticam uso de imagens em vídeo de campanha de Zemmour

Éric Zemmour lançou candidatura à Presidência da França na terça 30, com vídeo exibido nas redes sociais. Agora, veículos de comunicação e figuras públicas questionam uso de material sob propriedade intelectual

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2021 | 13h24

PARIS - Empresas de comunicação e personalidades francesas estão furiosas com o uso de imagens sob propriedade intelectual sem autorização pelo candidato à presidência de extrema direita Éric Zemmour, a quem ameaçam de processo.

A France-Presse expressou seu protesto na quarta-feira contra o uso de imagens feitas pela agência de notícias no vídeo em que Zemmour lançou sua candidatura na terça-feira, 30.

"A Agence France-Presse pediu à equipe de campanha de Éric Zemmour que parasse de usar imagens que foram incluídas, sem sua autorização, no vídeo em que o polemista anunciou sua candidatura às eleições presidenciais”, informou a agência em comunicado.

"Imagens pertencentes à AFP foram reproduzidas e incluídas no clipe, sem nossa autorização ou licença", escreveu o diretor de informações da France Press, Phil Chetwynd. Imagens de pelo menos cinco vídeos da empresa aparecem no material do candidato.

O cineasta Luc Besson também mostrou sua indignação depois que Zemmour usou imagens de seu filme "Joana d'Arc" (1999) e anunciou que estava estudando "medidas judiciais". Neste caso, as imagens foram usadas de maneira "fraudulenta", disse o diretor do filme, que especificou que "ele não compartilha das ideias de Éric Zemmour".

A distribuidora de filmes Gaumont também protestou contra o uso de imagens de "Joana d'Arc" (cujos direitos de distribuição pertencem a ela) e do filme "Un Singe en hiver". "Vamos estudar todas as opções", disse um porta-voz.

O canal de televisão France 24 também mostrou sua "oposição de princípio ao uso de suas imagens e de seu logotipo em qualquer videoclipe de campanha política".

A equipe de Zemmour indica que as imagens que usaram até agora são muito curtas e que estão protegidas pelo que é conhecido na França como "direito de citação curta".

Mas isso não impediu as manifestações de repúdio. O intelectual Jacques Attali, que no passado colaborou com o governo socialista de François Mitterrand, exigiu que o candidato populista retirasse sua imagem, que aparece muito brevemente no vídeo, em menos de 24 horas.

Um advogado da SCAM, sociedade que administra os direitos autorais na França, explicou que o uso breve de imagens só pode ser invocado em um documento "de natureza crítica, polêmica, científica, pedagógica ou informativa". Opinião, não entraria no quadro de uma campanha política. / AFP

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