Empresas dos EUA perdem mercado cubano para Chávez

Falta de clareza, burocracia e problemas nas negociações impediram investimento de americanos

, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2011 | 00h00

A modernização da internet em Cuba pode não trazer consequências diretas ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos, mas afetou as empresas americanas interessadas no mercado cubano. A ilha tem o maior mercado de telecomunicações do Caribe, com 11,4 milhões de potenciais consumidores.

Em 2009, o presidente dos EUA, Barack Obama, flexibilizou o embargo e permitiu que empresas de telecomunicações americanas prestassem serviços aos cubanos. Segundo o vice-diretor de política externa do Brookings Institution, Ted Piccone, as empresas americanas reclamaram da falta de regras, afirmando que a abertura não foi clara e o governo não deu incentivos para a expansão dos negócios na ilha.

A instalação dos cabos submarinos de fibra óptica entre a Flórida e Cuba seria muito mais simples e barata pela proximidade com o território americano. O projeto da empresa americana TeleCuba Communications, com sede em Miami, orçado em US$ 18 milhões, foi atrasado pela recusa do Departamento do Tesouro americano em aceitar as exigências de Havana.

O governo venezuelano tirou vantagem da burocracia americana e garantiu um mercado até então inexplorado. O cabo submarino terá ainda conexão aberta para outros países do Caribe, como Jamaica, República Dominicana e Haiti.

Enquanto o presidente Hugo Chávez investirá US$ 70 milhões, Cuba contribuirá com trabalhos sociais, como faz com a troca de petróleo por serviços médicos e educacionais em território venezuelano. Líder do único país latino-americano que não apresentou crescimento econômico no ano passado, Chávez trata o investimento sem grande alarde.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.