Empresas mudam cara de eleição nos EUA

As eleições de 2012 nos EUA estão sendo marcadas, pela primeira vez em 221 anos, por um combate entre companhias montadas para atrair doações ilimitadas e custear a parcela mais cara das campanhas: as propagandas nas TVs e rádios. A permissão para a criação dessas empresas eleitorais - oficialmente, Comitês de Ação Política ou Super PACs - saiu da tribuna da Suprema Corte de Justiça, em 2010. Cerca de 200 Super PACs estão registrados.

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h04

Segundo Thomas Mann, analista sênior do Brookings Institution, os Super PACs não terão força para mudar a escolha do candidato republicano à Casa Branca. "Mas são uma força nova e perniciosa na nossa política, que pode ser bastante destrutiva se ou quando organizadas exclusivamente para eleger ou derrotar um candidato ao Congresso", alertou, ao lembrar que 2012 também terá eleições legislativas.

Candidato à reeleição, o presidente dos EUA, Barack Obama, tem no Priorities USA Action o seu Super PAC. Atualmente, veicula o anúncio "Rejeite a América de Romney", com ataques ao republicano considerado pela Casa Branca como potencial adversário na eleição, Mitt Romney.

Os Super PACs dos quatro rivais nas primárias republicanas não se concentram em Obama. A disputa interna no partido ainda absorve seus recursos. Para as primárias da Carolina do Sul, no dia 17, o Restore Our Future (Restaurar nosso Futuro) gastou US$ 2,3 milhões em uma propaganda para apresentar Romney como um criador de empregos.

No campo adversário, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Newt Gingrich valeu-se do Winning our Future (Vencendo nosso Futuro) para veicular o documentário Quando Romney chegou na Cidade, ao custo de US$ 3,4 milhões. O filme rotulou Romney como "destruidor de empregos" e ajudou Gingrich a vencer.

Histórico. Havia Comitês de Ação Política (PACs) antes de 2010 com liberdade para divulgar anúncios, mas as doações recebidas de empresas, sindicatos e pessoas físicas eram limitadas a US$ 5.000 ao ano. A Corte Suprema dos EUA acabou com o teto.

Como alertou Thomas Mann, os Super PACs são apêndices dos candidatos. A interação é tão flagrante que os humoristas Stephen Colbert e Jon Stewart fizeram disso uma paródia. Em seu programa de televisão, Colbert "lançou" sua campanha à presidência, como republicano, e "passou seus poderes" para Stewart comandar seu Super PAC.

Segundo Paul Ryan, diretor do Campaign Legal Center, órgão voltado a examinar a legalidade nas eleições, os Super PACs servem para derrubar, na prática, o limite legal de contribuição direta de empresas e pessoas físicas, ainda hoje de US$ 2.500. "Milhões de dólares em contribuições para os Super PACs são ameaças de corrupção assim como seriam milhões de dólares em contribuições diretas aos candidatos", resumiu.

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