Cenário: Criado para conter homicídios no México, grupo caça imigrantes

Guarda Nacional, criada para enfrentar a criminalidade no México, foi enviada às fronteiras após a pressão de Trump

Anthony Esposito / REUTERS, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2019 | 22h38

A Guarda Nacional foi criada pelo presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, para reduzir as taxas recordes de homicídios no país. Mas, agora, tem de patrulhar as fronteiras para contentar o presidente americano, Donald Trump, que exigiu que o México reduza o fluxo de imigrantes e ameaçou impor tarifas aos produtos mexicanos. 

Se o envio de 21 mil soldados da Guarda Nacional às fronteira norte e sul conseguir reduzir o fluxo, López Obrador será bem-sucedido em impedir a criação de uma nova frente na guerra global de comércio.

Mas usar quase um terço dos soldados da Guarda Nacional para conter a imigração significa menos forças de segurança para lidar com uma das questões mais urgentes no México: conter a onda de violência que, no ano passado, custou o recorde de 33 mil vidas. E esses números continuaram subindo nos seis primeiros meses de mandato de López Obrador, que assumiu em dezembro.

Em Ciudad Juárez, onde os assassinatos cometidos por cartéis de drogas são especialmente altos, muitas pessoas desejavam que a Guarda Nacional estivesse ajudando a combater o crime. A cidade, do outro lado da fronteira de El Paso, Texas, há muito tempo enfrenta as guerras de cartéis, que elevaram a taxa de assassinatos a 244 entre 100 mil residentes em março de 2011, segundo dados da Mesa de Segurança e Justiça.

Com a ajuda de empresários e de grupos da sociedade civil, a cidade teve grandes avanços para restaurar a segurança e, no fim de 2015, a taxa de assassinatos tinha caído para 21 em 100 mil. Agora, a criminalidade está subindo drasticamente para os níveis da época da guerra dos cartéis, com os homicídios chegando nos últimos três anos a 107 a cada 100 mil. 

Trump parece contente, ao menos até agora, elogiando o México por seus esforços, mas dizendo que as tarifas ainda estão na mesa. Mas, em Juárez, permanece a dúvida sobre se conter a imigração é a real prioridade da recém-criada força de segurança mexicana em uma cidade que se tornou uma terra sem lei. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.