Enchentes castigam centro exportador da China

O centro industrial do extremosul da China preparava-se na terça-feira para enfrentar asenchentes que já mataram 169 pessoas na região e somam-se àsérie de desastres naturais que atinge o país antes dos JogosOlímpicos de Pequim. Autoridades da província de Guangdong, uma área vizinha deHong Kong economicamente importante, de grandes dimensões edensamente povoada, avisou sobre o perigo de um "junho negro"no momento em que chuvas fortes e dois rios com excesso de águaameaçavam os diques de contenção, afirmou a agência de notíciasXinhua. A grande quantidade de água que caiu sobre o sul da Chinanos últimos dez dias obrigou à retirada de 1,66 milhão depessoas de suas casas, afirmou o Ministério dos Assuntos Civis.As perdas econômicas diretas somam 15 bilhões de iuans (2,2bilhões de dólares). A cifra de mortos diz respeito ao período iniciado com atemporada das enchentes, no começo do verão. Guangdong prevê um novo alagamento na parte baixa do deltado rio Pérola, que abarca várias zonas industriais voltadas àexportação, entre as quais Foshan, Zhongshan e a capital daprovíncia, Guangzhou. Na cidade de Sanshui, onde fábricas de plásticos ficampróximas de plantações de arroz, a água misturada à lama jáchegava à janela de casas localizadas próximas aos rios. Em Shilong, cidade localizada ainda mais a leste do delta,um agricultor de 64 anos que informou apenas seu primeiro nome,Liang, cuidava de uma pequena plantação de inhame, flor delótus e outros vegetais às margens do rio. "A água subiu até aqui", afirmou Liang, apontando para umamarca na parede do dique localizada cerca de 3 a 4 metros acimado nível da água. "E levou todos os meus repolhos." Quatro crianças de uma escola em Guangxi, províncialocalizada a oeste de Guangdong, morreram quando um muro caiupor conta da chuva, informou a agência de notícias Xinhua. A temporada dos tufões começou, garantindo a ocorrência denovos desastres na região costeira de Guangdong, lar de 110milhões de moradores permanentes e temporários durante o verão. "A rede fluvial do delta do rio Pérola verificou não apenasseu maior volume de enchentes nos últimos 50 anos, mas, aomesmo tempo, viu-se atingida também pelas colunas de água maisaltas dos últimos dez anos", afirmou um relatório divulgadopela agência de águas de Guangdong em seu site(www.gdwater.gov.cn). Raramente a China consegue ficar um ano que seja semregistrar enchentes, secas e outros desastres naturais em algumponto de seu vasto território. Intensas tempestades de neve tomaram conta de grande partedo sul do país, em janeiro, e a China ainda se recupera doterremoto de 12 de maio, cujo epicentro ficou na Província deSichuan e que matou mais de 70 mil pessoas. (Reportagem adicional de Chris Buckley e Guo Shipeng emPequim)

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