Encontrada fossa com ossos em quartel chileno

Restos que podem pertencer a desaparecidos após o golpe militar de 1973, entre eles colaboradores e guarda-costas do derrubado presidente Salvador Allende, foram encontrados em uma fossa num quartel militar, confirmou nesta quarta-feira a juíza encarregada da investigação. "Encontramos numerosos fragmentos importantes (de ossos). Até o momento, superam os 300 e poderiam corresponder, de acordo com a opinião dos peritos, aos corpos de entre 8 e 10 pessoas", informou a magistrada Amanda Valdovinos. A juíza é um dos representantes especiais da Justiça encarregados de investigar o paradeiro de 49 desaparecidos sepultados em fossas clandestinas, segundo um informe oficial das Forças Armadas divulgado em janeiro de 2001. Outros 151, segundo esse relatório, foram lançados ao mar, aos rios e lagos. As apurações de Valdovinos no interior do forte Arteaga, a cerca de 20 quilômetros de Santiago, permitiram encontrar o corpo de um desaparecido que, segundo os militares, teria sido lançado ao mar. Outro juiz encontrou indícios de entre 8 e 10 desaparecidos em outra fossa mas, destes, apenas os restos de dois dirigentes comunistas presos em 1976 foram identificados. Valdovinos informou que foram removidos todos os restos de corpos encontrados na fossa. Em dezembro, alguns dos restos encontrados no forte Arteaga foram identificados como pertencentes a dois colaboradores do ex-presidente Allende, entre eles o chefe dos guarda-costas presidenciais, Domingo Blanco, e o chefe administrativo do palácio presidencial, Enrique Huerta. Acredita-se que os demais restos encontrados também sejam de ex-colaboradores do ex-presidente, detidos após o bombardeio ao Palácio de La Moneda, a sede do governo - onde Allende morreu vitimado por uma rajada de fuzil.

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