Encontradas mais 32 vítimas de execução no Iraque; ataques deixam 19 mortos

Explosões de carros-bomba e ataques de atiradores a bordo de veículos em movimento provocaram a morte de pelo menos 19 pessoas no Iraque nesta quinta-feira, inclusive dois soldados americanos, informaram autoridades locais. Paralelamente, a polícia iraquiana informou que mais 32 cadáveres com sinais de tortura e execução sumária foram encontrados em Bagdá e seus arredores, elevando para 95 o número de cadáveres encontrados na capital nas últimas 48 horas. Não se sabe, porém, quando essas pessoas foram assassinadas.O comando militar americano informou que o primeiro soldado morto não resistiu a ferimentos sofridos num ataque rebelde. O outro perdeu a vida na explosão de uma bomba perto de seu veículo ao sul de Bagdá.As mortes desta quinta-feira elevam para 2.673 o número de soldados americanos mortos desde março de 2003, quando forças estrangeiras lideradas pelos Estados Unidos invadiram o Iraque em busca de armas de destruição em massa que nunca vieram a ser encontradas.Os ataques ocorrem apenas um dia depois de uma jornada especialmente violenta até mesmo para os padrões bagdalis. Na quarta-feira, carros-bomba, morteiros e outros ataques provocaram a morte de 39 pessoas e feriram dezenas. Os corpos com sinais de tortura e execução encontrados na quarta-feira foram 65.O general americano William Caldwell atribuiu a escalada a um possível recrudescimento da violência sectária no Iraque.Os embates entre muçulmanos xiitas e sunitas persistem apesar de uma operação militar promovida por soldados americanos e iraquianos em Bagdá e seus arredores com o objetivo de reprimir as ações de esquadrões da morte.Pior ataqueNo pior ataque do dia, a explosão de um carro-bomba perto de uma agência governamental de emissão de passaportes no centro de Bagdá deixou nove portos e 17 feridos.Enquanto isso, autoridades iraquianas impuseram um toque de recolher em Diwaniya, uma cidade de maioria xiita a 130 quilômetros ao sul de Bagdá, depois que uma pessoa morreu e dez ficaram feridas em distúrbios que se seguiram à invasão de um comitê do clérigo radical antiamericano Muqtada al-Sadr por soldados dos Estados Unidos.Militares americanos invadiram o comitê na manhã de quinta-feira para apreender computadores e documentos. Horas mais tarde, centenas de simpatizantes de Al-Sadr protestaram em frente à sede do governo local. A polícia abriu fogo para dispersar os manifestantes. Uma pessoa morreu e dez ficaram feridas, disseram médicos de um hospital local.Soldados iraquianos e americanos intervieram para encerrar o protesto. O toque de recolher será mantido até segunda ordem, informou o governo local.CadáveresEntre os cadáveres encontrados nesta quinta-feira, alguns apresentavam sinais de tortura, enquanto outros estavam amarrados e com os olhos vendados, afirmou um funcionário do ministério do Interior que não quis se identificar.Segundo a fonte, os corpos foram encontrados na zona de Al Rusafa e Al Karj, regiões de maioria xiita e sunita localizadas a leste e oeste de Bagdá, respectivamente.Os corpos foram levados ao hospital de Al Adly, onde está o principal necrotério de Bagdá. Entre fevereiro e julho deste ano o centro recebeu mais de 8.000 cadáveres de vítimas da violência sectária entre xiitas e sunitas.Representantes de organizações de direitos humanos locais afirmam que entre as vítimas estão crianças e mulheres, e que a maioria dos corpos apresentava sinais de tortura, entre elas a amputação de membros, olhos arrancados e queimaduras.A violência sectária no Iraque aumentou a partir de fevereiro passado, após o atentado que destruiu a cúpula de um importante mausoléu xiita na cidade de Samarra, ao norte de Bagdá.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.