Encontrado material radioativo em urina de ex-espião russo

Vestígios de material radioativo foram encontrados na urina do ex-espião russo Alexander Litvinenko, que morreu na noite de quinta-feira em virtude de um suposto envenenamento. A informação foi confirmada nesta sexta-feira pelo cientista Roger Cox, da Agência de Proteção à Saúde do Reino Unido. Em entrevista coletiva, Cox disse que, na amostra examinada, foi encontrada uma "grande quantidade" de radiação alfa, provavelmente emitida por uma substância radioativa denominada polônio 210. Em uma dramática declaração ditada a amigos a poucos dias de sua morte, Litvinenko acusou o presidente russo, Vladimir Putin, pelo envenenamento. Putin, por sua vez, classificou a morte como uma tragédia, mas acusou seu oponente de usar o incidente para fazer uma "provocação política". Crítico feroz do governo russo, o ex-agente da KGB sofreu uma parada cardíaca após dias de tratamento intensivo no Hospital Escola da Universidade de Londres, na noite de quinta-feira. Cox, da Agência de Proteção à Saúde, descreveu o envenenamento de Litvinenko como "um evento sem precedentes". "Eu estudo os efeitos da radiação há 30 anos, e nunca tinha visto um incidente como este", disse Cox, que é diretor do centro de radiação e riscos ambientais da agência. Segundo a diretora executiva da agência, Pat Troop, o alto nível de radiação encontrada na urina de Litvinenko indica que "ele pode ter ingerido, inalado ou se contaminado através de um ferimento". "O que sabemos é que ele recebeu uma grande dose" do elemento, completou Pat. A diretora acrescentou que a agência está avaliando se é seguro realizar uma autópsia no corpo. Investigações Na noite de quinta-feira, o secretário do Interior britânico, John Reid, havia dito que a morte de Litvinenko estava "ligada à presença de uma substância radioativa em seu corpo". Segundo uma porta-voz do gabinete britânico, o secretário teria se reunido com a comissão de emergência do governo para discutir a morte de Litvinenko. Em uma reunião com o embaixador russo na Secretaria do Exterior britânico, diplomatas ingleses pediram que Moscou providencie toda a assistência necessária para um inquérito policial sobre a morte. Putin disse que irá cooperar. De acordo com o chefe da polícia antiterrorista de Londres, Peter Clarke, traços de radiação foram encontrados na casa em que o ex-espião vivia, no sushi bar em que ele se encontrou com um contato no dia 1º de novembro - o mesmo dia em que ficou doente - e um hotel por onde passou um dia antes. A porta-voz da Agência de Proteção à Saúde, Katherine Lewis, explicou que os riscos de contaminação para o público são pequenos. Ainda assim, destacou Lewis, quem manteve contato próximo com Litvinenko pode ter se contaminado. À polícia, Livitnenko, de 43 anos, disse acreditar ter sido envenenado no dia 1º de novembro, quando investigava o assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya, morta em outubro. Assim como o ex-espião, Politkovskaya era uma crítica mordaz de Putin. Elemento raro O polônio 210 aparece em concentrações muito baixas no meio ambiente, mas pode apresentar risco de radiação caso seja ingerido. "Apenas uma quantidade realmente pequena de polônio seria necessária para ser fatal por ingestão, mas isso depende da pureza do material", disse um especialista em radiação da Enfermaria Real de Victoria. Já de acordo com o Professor Dudley Goodhead, especialista em radiação do Conselho de Pesquisa Médica, apenas o polônio manipulado pelo ser humano seria capaz de envenenar alguém. Ele acrescentou que o elemento só pode ser obtido com a utilização de "um acelerador de partículas ou um reator atômico". Texto ampliado às 19h57 para o acréscimo de informações

Agencia Estado,

24 Novembro 2006 | 13h34

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.