Encontrado o homem que teve identidade roubada por Karadzic

Camponês de 66 anos diz não saber como seus documentos foram parar nas mãos do ex-presidente servo-bósnio

Associated Press,

24 de julho de 2008 | 19h04

O real Dragan Dabic apareceu. O camponês de 66 anos que teve seu nome roubado por um dos maiores criminosos de guerra do mundo estava chocado nesta quinta-feira, 24, quando soube que sua identidade estava sendo usada por Radovan Karadzic, acusado por genocídio e crimes de guerra durante os conflitos na ex-Iugoslávia.   Veja também: Sérvia busca culpados por identidade falsa Quem é Radovan Karadzic Sarajevo comemora prisão de Karadzic Cronologia dos conflitos nos Bálcãs  O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região   Rasim Ljajic, oficial do governo responsável pela investigação, disse que os investigadores apontaram que o verdadeiro Dabic vivia em Ruma, cidade sérvia ao norte de Belgrado. "A identidade de Dabic difere-se da de Karadzic somente na fotografia", afirmou Ljajic.   A descoberta certamente mudou os planos de Dabic. "Ao invés de trabalhar no jardim, estou sendo cercado por repórteres e recebendo telefonemas", disse o camponês, acrescentando que não tem idéia de como uma cópia de sua identidade foi parar nas mãos de Karadzic.   "Isso é injusto. Em vez de descobrir quem realmente armou essa história, eu estou sendo questionado pela polícia", afirmou o homem, que não tem semelhança física com o ex-presidente servo-bósnio. Agora, as autoridades tentam descobrir se a identidade de Karadzic era uma cópia falsa ou oficial do original de Dabic.   O governo sérvio informou que o ex-líder foi capturado em Belgrado na segunda-feira e está aguardando a extradição para o tribunal de crimes de guerra da ONU em Haia, na Holanda. Mas o advogado de Karadzic insiste que seu cliente foi preso na sexta-feira.   O advogado Sveta Vujacic diz que o ex-líder servo-bósnio lhe pediu para entrar com uma ação judicial contra "pessoas não identificadas" que o "seqüestraram" na última sexta. Segundo Vujacic, Karadzic teria sido pego em um ônibus em um subúrbio de Belgrado, encapuzado e transferido para um local desconhecido, onde, de acordo com o advogado, foi mantido por três dias.   "Temos três testemunhas viram tudo isso", acrescenta Vujacic. Os comentários são vistos como uma tentativa para adiar a extradição de Karadzic ao máximo.   Bruno Vekaric, porta-voz do procurador de crimes de guerra sérvio, afirmou que os suspeitos de terem ajudado Karadzic a escapar da justiça também serão processados. Ele acredita que esses suspeitos possam levar à captura de outros fugitivos acusados de crime de guerra, como o comandante Ratko Mladic.   Karadzic declarou que planeja fazer sua própria defesa no tribunal da ONU. Mas os sérvios estão mais fascinados com outros detalhes que apareceram sobre sua vida secreta - uma amante, uma família falsa nos EUA e visitas regulares a um bar.

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