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Encontro de Obama e Netanyahu ocorre a portas fechadas em Washington

Em meio a crise diplomática, líderes não deram entrevistas nem fizeram discursos públicos

BBC

24 de março de 2010 | 06h54

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se reuniram a portas fechadas na terça-feira, 23, em Washington, em meio a uma recente crise entre os dois países provocada pelas críticas americanas ao plano de Israel de construir 1,6 mil casas em Jerusalém Oriental.

Obama e Netanyahu tiveram duas reuniões na Casa Branca, mas não convidaram os jornalistas para assistir ao aperto de mão inicial entre os dois líderes, como de costume. Não houve discursos públicos nem entrevistas coletivas após os encontros.

Assessores do governo israelense disseram que os encontros ocorreram em "um clima bom". Já a Casa Branca não deu detalhes sobre as reuniões.

Sem disposição

Segundo um assessor da Casa Branca, a primeira reunião dos dois líderes durou cerca de 90 minutos. Quando Obama já havia se retirado para a ala residencial, Netanyahu solicitou um novo encontro, que ocorreu em seguida e durou 30 minutos. 

A quebra do protocolo de convidar a imprensa para presenciar o aperto de mão entre os dois líderes no início do encontro é um contraste marcante com a tradicional receptividade pública dada pelos EUA a líderes israelenses. O fato indica que, em meio à crise diplomática, Netanyahu foi a Washington sem disposição para oferecer concessões.

Antes de ir à Casa Branca, o premiê israelense disse a líderes do Congresso americano que os apelos das autoridades palestinas para a suspensão da construção de assentamentos são "ilógicos e irracionais". "Isso pode interromper as negociações de paz durante mais um ano", disse.

Na semana passada, Obama disse que a aprovação do plano de construção de 1,6 mil casas no bairro de Ramat Shlomo não está ajudando o processo de paz.

'Direito israelense'

Na segunda-feira, em um discurso ante o Aipac, um grupo americano que faz lobby pró-Israel, Netanyahu defendeu o "direito dos israelenses de construir" em Jerusalém. "O povo judeu construiu Jerusalém há 3 mil anos e o povo judeu está construindo Jerusalém hoje. Jerusalém não é um assentamento. É a nossa capital", afirmou o premiê.

O status de Jerusalém tem sido uma das questões mais delicadas nas negociações. Israel considera a cidade capital de seu país e os palestinos querem que Jerusalém Oriental seja a capital de um futuro Estado palestino.

A comunidade internacional vê esta parte predominantemente árabe da cidade como sendo território ocupado por Israel. As embaixadas estrangeiras são localizadas em Tel Aviv.

Cerca de meio milhão de israelenses vivem em mais de cem assentamentos construídos desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando Israel ocupou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Os assentamentos são considerados ilegais segundo as leis internacionais, o que é contestado por Israel.

 

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