Encontro dos Não-Alinhados em Cuba discutirá pobreza, Oriente Médio e EUA

Pobreza, saúde e o conflito no Oriente Médio são as principais questões que serão discutidas durante o encontro dos Países Não-Alinhados, que começou nesta segunda-feira, em Cuba, e acabará com a reunião de 50 líderes mundiais, incluindo antiamericanos como o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o venezuelano Hugo Chávez. Cuba preside o encontro, e seu ministro do Exterior, Felipe Perez Roque, abriu o evento com um discurso conclamando os países em desenvolvimento a se unirem para resistir à agressão e intervenção das nações mais poderosas deste "mundo injusto". "Hoje podemos afirmar (...) que o movimento é mais necessário do que nunca", disse Roque. "Precisamos da força das 118 nações unidas", acrescentou, referindo-se aos países que fazem parte do movimento. Diplomatas acreditam que tal movimento, que engloba dois terços dos países do mundo, perdeu sua direção nos últimos anos. Porém, eles esperam que a liderança de Cuba estreite as relações entre esses países, que têm dificuldades sociais e econômicas semelhantes.Analfabetismo, acesso restrito a tratamentos de saúde decentes e conservação de energia estão na agenda do encontro. Além disso, há um comunicado assinado por diversos países que pede a suspensão do embargo norte-americano a Cuba; a busca iraniana por apoio estrangeiro ao seu programa nuclear e a busca por um acordo de paz entre a Índia e o Paquistão.Os organizadores trabalharão em uma declaração final que rejeitará todo tipo de terrorismo contra populações civis, incluindo o "terrorismo de Estado", dirigida aos Estados Unidos e Israel pelas invasões ao Iraque e ao Líbano.Outro item na pauta do encontro é o envio, por parte de vários países, de uma mensagem ao mundo desenvolvido dizendo que os países ricos devem fazer mais para dividir os recursos mundiais finitos e para respeitar o direito de todos os países determinarem seus próprios governos e sistemas econômicos. Líderes como Ahmadinejad, do Irã, e Chávez, da Venezuela, deverão usar o encontro para atacar a visão mundial "imperialista" do presidente norte-americano George W. Bush.Porém, outros países já afirmaram que não estão interessados em atacar os Estados Unidos. Nações como Índia e África do Sul estão estreitando as relações com os EUA e não querem criticar a administração Bush.FidelA participação do presidente cubano Fidel Castro - um dos maiores adversários de Bush - ainda está no ar. No dia 31 de julho, o líder de 80 anos delegou temporariamente seus poderes ao seu irmão, Raul, após sofrer uma cirurgia intestinal. Desde então ele não fez nenhuma aparição em público.Por isso, o presidente interino Raul Castro é quem irá liderar a delegação cubana no encontro. Ainda assim, Fidel, que recentemente apareceu na TV estatal cubana 18 quilos mais, disse que provavelmente receberá visitas particulares de líderes estrangeiros.

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