DNCC via AFP
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Trump nunca sentiu o peso do cargo, diz Obama em convenção democrata

Evento desta quarta-feira tem encontro histórico entre o primeiro presidente negro dos EUA e a primeira negra a disputar a vice-presidência por um grande partido, Kamala Harris

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2020 | 16h58
Atualizado 20 de agosto de 2020 | 00h04

Em um dos discursos mais contundentes contra o presidente Donald Trump desde que deixou a Casa Branca, o ex-presidente Barack Obama disse que o republicano nunca “sentiu o peso do cargo” e tratou a presidência como se fosse um reality show para ganhar atenção. Obama discursou na terceira noite da Convenção Nacional Democrata, em um encontro histórico entre o primeiro presidente negro dos EUA e a primeira negra a disputar a vice-presidência por um grande partido, Kamala Harris, indicada oficialmente na chapa com Joe Biden esta noite.

O discurso de Obama foi um tom acima do que ele costuma adotar. Desde 2017, ele tem feito poucas e pontuais aparições. “Eu nunca esperei que meu sucessor fosse abraçar minha visão ou continuar minhas políticas. Mas eu esperava, pelo bem do nosso país, que Donald Trump pudesse mostrar algum interesse em levar o trabalho a sério, que ele sentisse o peso do cargo e descobrisse alguma reverência pela democracia que fora colocada sob seus cuidados. O que ele nunca fez”, disse o ex-presidente. “Ele não mostrou interesse em trabalhar. Nenhum interesse em tratar a presidência como algo além de um reality show que ele pode usar para obter a atenção que deseja.”

A ex-secretária de Estado Hillary Clinton, candidata presidencial derrotada por Donald Trump em 2016, usou, mais cedo, sua própria experiência para falar aos democratas. Ainda popular entre muitos deles, e acusada por outros por ter feito o partido perder as eleições de 2016, Hillary buscou esta noite fazer um alerta sobre tudo que ainda pode dar errado. 

"Por quatro anos, as pessoas me disseram: 'Eu não sabia o quão perigoso ele era!' 'Eu gostaria de poder voltar atrás e fazer de novo!' Ou pior - 'Eu deveria ter votado!' Bem, esta não pode ser outra eleição do faria, deveria ou poderia”, reforçando que os eleitores democratas devem fazer todo o possível para registrar seu voto e fazer com que Biden vença por uma ampla margem, que não deixe dúvida.

Hillary venceu a votação popular em 2016 por quase 3 milhões de votos de diferença, mas perdeu a disputa no Colégio Eleitoral. 

"Precisamos de números tão esmagadores que Trump não consiga escapar ou tentar roubar seu caminho para a vitória."

O primeiro tema abordado foi a violência das armas, lembrando episódios trágicos, como o ataque à escola Parkland, entre outros, que não pouparam nem negros nem brancos no país. Mães de vítimas de massacres como esse deram seu testemunho.

A ex-deputada Gabrielle Giffords, gravemente ferida em um ataque em 2011 no estacionamento de um supermercado no Arizona, fez um convite para que democratas votem em Biden, que segundo ela pode lutar para tentar encontrar soluções para lidar com a violência das armas no país.  

A cantora Billie Eilish exortou os americanos a "votarem como se nossas vidas e o mundo dependessem disso, porque eles dependem" antes de apresentar sua nova música My future.

Biden, o ex-vice-presidente de Obama, foi oficialmente indicado pelo partido na última terça-feira, 18, para as eleições de 3 de novembro, quando enfrentará o presidente republicano em um país politicamente polarizado, em meio à pandemia de coronavírus que deixou mais de 171 mil mortos, a recessão econômica e uma onda de protestos contra o racismo e a violência policial.

 

Confira a lista de oradores:

Kamala D. Harris

Companheira de chapa de Biden.

Barack Obama

Ex-presidente dos EUA

Elizabeth Warren

Senadora por Massachusetts e ex-candidata à presidência.

Nancy Pelosi

Presidente da Câmara.

Hillary Clinton

Candidata do partido em 2016, ex-senadora e ex-secretária de Estado.

Tony Evers

Governador de Wisconsin.

Michelle Lujan Grisham

Governadora do Novo México.

Gabrielle Giffords

Ex-congressista do Arizona que dirige um grupo que visa prevenir a violência armada. /AFP

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