REUTERS/Kevin Lamarque
REUTERS/Kevin Lamarque

Encontros prévios a reunião de aniversário da Otan não têm menções ao Brasil

EUA sediam evento de 70º anos da aliança militar, mas País é ignorado por embaixadora em lista de assuntos principais

Beatriz Bulla, Correspondente / Washington

03 de abril de 2019 | 05h00

Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) comemora o aniversário de 70 anos nesta semana com um encontro de chanceleres dos países membros em Washington. A reunião é a primeira depois de o presidente americano, Donald Trump, ter prometido designar o Brasil como um aliado fora da Otan. O País, no entanto, não entrou na lista dos temas principais do encontro destacados por autoridades americanas nesta terça-feira, 02.

Ao receber o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, na Casa Branca, Trump elogiou o aumento de contribuição dos demais países-membro, algo que computa como um sucesso de sua gestão. Nenhuma menção ao Brasil foi feita na fala à imprensa feita por Trump e Stoltenberg no Salão Oval. No mesmo dia, a representante permanente dos EUA na Otan, embaixadora Kay Bailey Hutchison, falou com correspondentes estrangeiros em Washington. Ela citou os temas que serão principais no encontro de chanceleres previsto para quinta-feira, 04. O Brasil não estava na lista dos assuntos mencionados por ela.

O assunto prioritário, segundo a embaixadora americana, é “o comportamento da Rússia” contra a Ucrânia. Além disso, ela listou como parte da agenda do encontro da aliança militar as ações de contra-terrorismo, o Afeganistão, a violação pela Rússia do tratado sobre armas nucleares de alcance intermediário e a divisão dos custos da organização. Desde que chegou à Casa Branca, Trump pressiona os demais membros - e principalmente a Alemanha - a arcarem com ao menos 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) com defesa. Os EUA alegam gastar 4% do PIB com defesa. “A repartição de despesas é algo no qual o presidente tem focado”, disse a embaixadora. No Salão Oval, Trump falou que houve um aumento "sideral" nas contribuições dos demais membros.

"Queremos que nossos aliados trabalhem conosco em uma base igualitária que nos proporcione um guarda-chuvas que nos faça fortes. Temos 29 membros agora. Fomos de 12 em 1949 para 19, indo para 30, esperando que a Macedônia se torne um membro no próximo outono . Nós somos mais fortes juntos”, disse Kay Bailey Hutchison. Quando foi criada, em 1949, a aliança militar tinha 12 membros e o intuito de garantir a segurança de países da Europa e da América do Norte contra a União Soviética.

A promessa de designar o Brasil como um aliado preferencial fora da Otan foi computada pelo Itamaraty como uma das grandes conquistas da visita do presidente Jair Bolsonaro aos EUA. O status facilita a aquisição de equipamentos e cooperação militares. Mais de uma dúzia de países, como Argentina, Egito, Tailândia, Jordânia e Tunísia já obtiveram o status de aliado preferencial fora da Otan.

No almoço privado na Casa Branca, Trump sugeriu aos brasileiros que poderia ir além e designar o País como um membro da Otan. No Rose Garden, à imprensa, Trump repetiu a promessa, mas adiantou que precisaria “conversar com muita gente” para concretizá-la. A possibilidade de tornar o Brasil um membro efetivo, no entanto, é remota pelas próprias normas da aliança e por representar custos ao País.

A Rússia criticou Trump por ter afirmado que poderia trabalhar para que o Brasil fosse um membro pleno da aliança militar. Para os russos, o Tratado do Atlântico Norte, a carta de fundação da aliança, não permite a admissão de países latino-americanos não podem ser admitidos. “Não está claro, se (Trump) leu o Tratado de Washington, concretamente o Artigo 10 sobre quais Estados podem fazer parte do bloco”, afirmou o vice-chanceler russo, Alexander Grushko.

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