Endividado, Brasil se retira de eleição para juiz da corte da ONU

País deve US$ 6 mi que são destinados aos tribunais internacionais criados pelas Nações Unidas, a maioria deles com sede em Haia

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

13 de dezembro de 2014 | 10h40

GENEBRA - Endividado e com uma influência abalada, o Brasil foi obrigado a retirar seu candidato na escolha dos novos juízes do Tribunal Penal Internacional. Na sexta-feira, o brasileiro Leonardo Brandt não conseguiu votos suficientes na ONU e o Itamaraty foi forçado a abandonar a corrida. 


Membro fundador do TPI, o governo tinha conseguido colocar entre os juízes da entidade logo em seus primeiros dias a brasileira Silvia Steiner. 

Hoje, a situação do País é diferente. O Brasil deve US$ 76,8 milhões ao orçamento regular da secretaria da ONU, além de outros US$ 87,3 milhões para as operações de paz dos capacetes azuis. Se não bastasse, o Brasil também deve US$ 6 milhões que são destinados para os tribunais internacionais criados pelas Nações Unidas, a maioria deles com sede em Haia. 


75% do passivo da corte ocorre por conta dos atrasos no pagamento do Brasil e, se o dinheiro não for pago, o Brasil será suspenso do Tribunal, não tendo direito a entrar com processos ou mesmo se defender.


Ainda assim, o governo mantinha a candidatura de Leonardo Brandt para um cargo de juiz na entidade. Diplomatas encarregados das relações com a ONU chegaram a recomendar que a candidatura não fosse apresentada, diante do constrangimento da dívida. Ainda assim, a cúpula da chancelaria optou por levar adiante a candidatura. 


Um total de seis postos estavam sendo disputados e 18 nomes foram apresentados por diversos países. Na rodada que eliminou o brasileiro, o Itamaraty conseguiu menos votos que Timor Leste e Suécia. 


Foram eleitos até agora um coreano, polonês, alemão, francês e congolês. Uma última vaga será definida na segunda-feira. 

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