David Guttenfelder/AP
David Guttenfelder/AP

Energia nuclear deve dominar eleição geral japonesa

Votação provavelmente levará à queda do Partido Democrático do Japão

Reuters

03 de agosto de 2012 | 12h48

TÓQUIO - A crescente oposição japonesa à energia nuclear depois do desastre de Fukushima poderá ser decisiva numa eleição geral que muitos esperam que possa acontecer nos próximos meses e que provavelmente levará à queda do Partido Democrático do Japão, apenas três anos depois da sua avassaladora vitória eleitoral.

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Misturando conservadores, parlamentares de centro-esquerda e ex-socialistas, o PDJ chegou ao poder em 2009 prometendo mudar os modos políticos do país, após quase 50 anos ininterruptos de hegemonia do Partido Liberal Democrático (PLD).

Três anos e três primeiros-ministros depois, críticos dizem que as promessas de reduzir o poder dos burocratas e de dar mais atenção a consumidores e trabalhadores do que a corporações não foram totalmente cumpridas.

"Os democratas não alcançaram suficientemente suas promessas de campanha nos últimos três anos. Então voltar à oposição é o resultado mais provável para eles", disse Hajime Ishii, influente senador do PDJ.

Apesar da sua impopularidade, o primeiro-ministro Yoshihiko Noda insiste num plano para elevar o imposto sobre consumo, a fim de reduzir a dívida pública e financiar os enormes gastos previdenciários.

O projeto que duplica a alíquota do imposto antes de 2015 já passou em junho na Câmara, com apoio do PLD e de outro partido que já fez parte da coalizão. Vários parlamentares governistas deixaram o PDJ em protesto.

O PLD está ansioso pela antecipação das eleições, e ameaça apresentar uma moção de censura contra Noda no Senado, o que trancaria a pauta legislativa, ou mesmo uma moção de desconfiança, para obrigar o premiê a convocar a eleição.

O PDJ ainda tem uma ligeira maioria na Câmara, mas ela pode se evaporar se houver novas deserções.

"Cresce a cada dia a sensação de que não podemos deixar mais o governo do Japão nas mãos dos democratas", disse à Reuters o vice-presidente do PLD, Tadamori Oshima.

"A fim de criar uma oportunidade para o julgamento dos três anos dos democratas no cargo, e para obter um mandato público para o acordo dos três partidos (sobre o imposto do consumo), queremos usar uma moção de censura ou uma moção de desconfiança."

Ninguém espera que os deputados cumpram integralmente seu mandato de quatro anos, até agosto de 2013, mas os democratas parecem ávidos por adiarem ao máximo a hora da verdade.

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