Energia nuclear está mais segura um ano após Fukushima, diz AIEA

A energia nuclear está mais segura agora do que há um ano, quando um terremoto seguido de tsunami atingiu a região da usina nuclear de Fukushima, disse o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, na sexta-feira. O Greenpeace, entretanto, afirmou que nenhuma lição foi aprendida.

REUTERS

09 de março de 2012 | 16h33

Em um comunicado divulgado antes do primeiro aniversário (no domingo) da pior crise nuclear do mundo desde Chernobyl em 1986, Amano afirmou que foram tomados passos significativos para fortalecer a segurança nuclear global depois de Fukushima.

"A segurança nuclear está mais forte do que era há um ano", disse ele. "Sabemos o que deu errado e temos uma tomada clara de ações para combater essas causas - não apenas no Japão, mas em todo o mundo."

Amano acrescentou: "Agora temos de aproveitar a ocasião. A complacência pode matar."

A tragédia de Fukushima foi deflagrada em 11 de março de 2011, quando um forte terremoto sob o mar gerou o tsunami que deixou 19 mil mortos ou desaparecidos. Ele também atingiu a usina nuclear situada na costa, causando uma série de falhas catastróficas na instalação.

As imagens da usina atingida e da enorme devastação que o tsunami provocou ao redor do Japão abalaram a confiança do público na usina nuclear e forçaram a indústria nuclear a lançar uma campanha para defender seu histórico de segurança.

Após Fukushima, Alemanha, Suíça e Bélgica decidiram abandonar a energia nuclear e desenvolver fontes de energia renováveis alternativas. Outros quase 50 países que vinham operando, construindo ou planejando construir usinas nucleares, entretanto, continuam a depender da energia nuclear, mesmo enfrentando custos mais altos.

O comunicado da AIEA disse reconhecer que o acidente do ano passado representou um golpe à indústria nuclear, às agências reguladoras e aos governos, mas afirmou que muito poderia ser feito para evitar uma repetição.

"Ele foi deflagrado por uma força gigantesca da natureza, mas foi a fragilidade existente do design com relação à defesa contra os perigos naturais, da supervisão dos agentes reguladores, no gerenciamento do acidente e na resposta de emergência que permitiu que ele se desenrolasse como aconteceu", disse a AIEA.

Veterano diplomata japonês, Amano acrescentou: "Falhas humanas como essas não são exclusividade do Japão...Os países ao redor do mundo estão buscando os elos frágeis em seus sistemas e tomando medidas para fortalecê-los."

O grupo ambiental Greenpeace, no entanto, que se opõe à energia nuclear por razões de segurança, disse que "nenhuma lição real" parece ter sido aprendida com Fukushima.

"A indústria e os políticos ao redor do mundo rapidamente executaram os chamados testes de estresse apenas para concluir que nenhum reator no mundo é inseguro nem precisa ser fechado", disse Jan Beranek, chefe da campanha nuclear do Greenpeace.

"Não há dúvida que mesmo Fukushima Daiichi teria passado nesses testes", disse ele em um email à Reuters. A AIEA "até disse que o principal problema era como restaurar a confiança pública - em vez de buscar como proteger melhor as pessoas. Isso precisa mudar ou o próximo desastre nuclear é inevitável."

(Reportagem de Fredrik Dahl)

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