Ênfase no protecionismo de Trump preocupa mercados

Equipe econômica de novo presidente dos EUA tem perfil duro em negociações

Alexa Salomão, O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2017 | 05h00

A equipe econômica escolhida por Donald Trump, avaliam analistas, tem um perfil protecionista e duro em negociações. A maioria vem do setor privado e é composta de milionários como o novo presidente dos EUA.

Para secretário de Comércio, ele escolheu Wilbur Ross, milionário apelidado pelo mercado de “rei da bancarrota” por ser especialista em comprar, na bacia das almas, empresas à beira da falência. Para secretário do Tesouro, escalou Steven Mnuchin, ex-executivo do banco de investimento Goldman Sachs.

 

Na avaliação de Monica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington, Ross e Mnuchin indicam que a tendência de Trump não seria o diálogo entre os EUA e outras nações. “Ele colocou em postos chaves da área econômica profissionais acostumados a negociar numa posição de vantagem e a ceder pouco”, disse.

Segundo a economista, os mercados também se deram conta dos riscos. Monica acompanhou a cerimônia de posse de olho nas cotações da Bolsa de Nova York. “Na primeira menção da palavra proteção, o Dow Jones caiu e passou a oscilar, e volatilidade na bolsa americana nunca é bom”, disse. O índice encerrou o dia praticamente como abriu, registrando uma leve alta, 0,2%, mas abaixo dos 20 mil pontos, o que era esperado por analistas. 

Sobre o discurso de posse de Trump, Monica acredita que o presidente se organizou para cumprir a agenda antiglobalização. “Foram 16 minutos de populismo e eu contei a 7 vezes a palavra proteção”, diz ela. O presidente usou 5 vezes o verbo proteger e suas variações.

Duas frases em particular lhe chamaram a atenção. “Trump disse ‘temos de proteger as nossas fronteiras da devastação que outros países causaram em nossos produtos. Proteção trará maior prosperidade e força.’ Pois bem, nessas duas frases está a tradução econômica do protecionismo de Trump e, se essas palavras refletirem a política econômica dele, teremos guerras comerciais acontecendo no mundo em um futuro muito próximo”, afirmou.

 

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