Enfermeiras reafirmam que foram torturadas por Polícia líbia

As cinco enfermeiras búlgaras acusadas de ter contaminado mais de 400 crianças líbias com o vírus da Aids e condenadas à morte reiteraram diante da Justiça que foram torturadas pela Polícia líbia, informou nesta segunda-feira um de seus advogados.As enfermeiras e o médico palestino também condenado à pena capital foram apresentados ontem ao tribunal de Trípoli, que examina a denúncia por calúnia formulada contra eles por dois policiais.As enfermeiras disseram ao juiz que os policiais Yoma al-Michri e Ahmed Ashraf Juma as torturaram para obter uma confissão sobre a contaminação das crianças."Meus clientes são inocentes e sua confissão foi obtida pela tortura, o que desabilita essas declarações", alegou o advogado de defesa Othman al-Bizanti.A pedido da defesa, o tribunal decidiu, neste segundo processo contra as enfermeiras e o médico palestino, adiar as deliberações para 11 de março. Por outra parte, Bizanti confirmou que no último dia 17 apresentou um recurso de cassação à Corte Suprema líbia contra a condenação à morte decretada contra seus clientes pelo tribunal criminal de Trípoli, em 19 de dezembro.A Corte Suprema tem três meses para examinar a solicitação dos condenados. As enfermeiras e o médico negaram qualquer responsabilidade na infecção viral das crianças internadas no hospital pediátrico de Benghazi. Vários cientistas internacionais sustentaram em sua defesa que a contaminação aconteceu antes de os presentes sanitários chegarem ao centro hospitalar, devido às más condições higiênicas do local.

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