Carmen Jaspersen/dpa via AP
Carmen Jaspersen/dpa via AP

Enfermeiro alemão condenado por homicídio é suspeito de matar mais de 80 pessoas

Niels Hogel, que está sendo considerado um dos maiores assassinos em série da Alemanha, admitiu ter injetado drogas fatais deliberadamente em pacientes de duas clínicas e de ter tentado ressuscitá-los depois para que fosse visto como herói

O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2017 | 12h29

FRANKFURT, ALEMANHA - Um enfermeiro alemão preso por ter matado dois pacientes é suspeito de ter assassinado ao menos outras 84 pessoas, informou a polícia nesta segunda-feira, 28, após 12 anos de investigações sobre Niels Hogel, um dos maiores assassinos em série da Alemanha.

Em audiências anteriores, ele admitiu ter injetado drogas fatais deliberadamente em pacientes de duas clínicas do norte do país e de ter tentado ressuscitá-los depois para que fosse visto como herói, disse a emissora alemã NDR.

Hogel, hoje com 40 anos, foi condenado no dia 26 de fevereiro de 2015 à prisão perpétua pela morte de dois pacientes e por quatro tentativas de assassinato que levaram à morte de outros.

Investigadores descobriram os casos adicionais depois de exumarem os corpos de 134 pessoas ligadas ao ex-enfermeiro, disseram as autoridades. "Este número (de mortos) é excepcional, único, na história da Alemanha", declarou o chefe da investigação, Arne Schmidt. Hogel não tinha "preferências" de idade ou sexo, mas "optava pelos pacientes que se encontravam em estado crítico", indicou.

O chefe de polícia de Oldenburg, Johann Kuhme, disse que o número de vítimas pode ser ainda maior, já que alguns dos mortos foram cremados, de acordo com a NDR. "O que descobrimos é assustador. Ultrapassa tudo o que poderíamos imaginar", insistiu ele.

O caso também revela as falhas das duas clínicas onde o enfermeiro trabalhou. Apesar de as mortes dos pacientes terem acontecido quando Hogel estava de serviço, nenhum mecanismo interno soou o alarme. Segundo os investigadores, "ninguém quis assumir suas responsabilidades".

As clínicas de Delmenhorst e de Oldenburgo estão sendo investigadas a fim de determinar o que de fato aconteceu, uma vez que "os assassinatos poderiam ter sido evitados", declarou o chefe da polícia local.

O caso foi revelado em 2005, quando um colega de trabalho surpreendeu Hogel no momento em que ele aplicava uma injeção não autorizada no paciente de uma clínica de Delmenhorst, resultando, três anos depois, em sua primeira condenação por tentativa de assassinato.

Assustada com esse primeiro caso, uma mulher começou a ter dúvidas sobre a morte de sua mãe. Vários corpos foram exumados, e os investigadores encontraram vestígios de substâncias suspeitas em cinco. 

Durante o julgamento em Oldenburgo, Hogel pediu perdão às famílias e justificou suas ações por "tédio". Ele alegou que praticou os atos para levar os pacientes ao limiar da morte, a fim de demonstrar sua capacidade de trazê-los à vida. / REUTERS e AFP

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