Enforcada no Irã mulher condenada por morte de estuprador

Organizações de direitos humanos pediam o cancelamento da sentença por considerar que julgamento não foi feito de forma justa

Efe

25 de outubro de 2014 | 08h23

TEERÃ - As autoridades judiciais do Irã enforcaram na madrugada desde sábado Reyhaneh Jabbari, a jovem de 26 anos condenada à morte por matar o homem que a estuprou, confirmou à Agência Efe sua mãe, a atriz iraniana Shole Pakravan.

"Enforcaram minha filha, enforcaram minha filha", dizia entre soluços.

Jabbari foi condenada à forca depois de ter sido condenada pela morte do médico Morteza Abdolali Sarvandi, ex-funcionário do Ministério de Inteligência.

No final de setembro, a jovem, presa desde 2006, quando tinha 19 anos, foi transferida do centro penitenciário no qual cumpria pena para a prisão de Rajaishahr, perto de Teerã, onde se realizam execuções.

Foi quando foram reativadas as campanhas e os pedidos internacionais para evitar o enforcamento, que foi suspenso temporariamente.

Organizações defensoras dos direitos humanos, como Anistia Internacional e Human Rights Watch, pediram o cancelamento da sentença por considerar que o julgamento de Jabbari não contou com as garantias necessárias.

A União Europeia também pediu que as autoridades iranianas revogassem a decisão judicial e realizem um novo processo.

Mais de 240 mil pessoas assinaram um abaixoassinado no Avaaz para pedir a suspensão da execução alegando que a jovem "atuou em defesa própria". No Facebook há diversas campanhas para apoiar sua causa, com páginas intituladas "Eu sou Reyhaneh Jabbari" e "Salvemos a Reyhaneh Jabbari da execução no Irã".

O relator especial da ONU para os direitos humanos no Irã, Ahmed Shaheed, também pediu que a execução fosse cancelada e um novo julgamento realizado, por entender que parte da acusação se baseou em uma confissão foi obtida sob tortura.

Mês passado as autoridades iranianas intermediaram sem sucesso a tentativa de conseguir o perdão da família do falecido, que se negou a exercer esse direito, dado pela lei de guesas (lei islâmica de "olho por olho", que exige o pagamento de sangue com sangue) que impera no Irã.

"Quero que o direito do sangue de meu pai seja cobrado o mais rápido possível", declarou à Agência Efe há duas semanas Jalal Sarvandi, filho da vítima.

Segundo a versão da condenada, o médico a contratou para ajudá-la a decorar seu escritório e a levou a um edifício onde a estuprou. Ela se defendeu com uma pequena faca com e o feriu no ombro, mas, de acordo com Jabbari, não o matou.

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