Enfraquecida, guerrilha tenta romper isolamento

BOGOTÁ

REUTERS e AFP, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

O pedido de diálogo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para encerrar o conflito colombiano foi o segundo em menos de um mês sem precondições, e é feito num momento em que o grupo está acuado e perdendo apoio. Até mesmo o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que demonstrou simpatia pela guerrilha em várias ocasiões, pediu aos rebeldes que deixem a luta armada e libertem todos os reféns.

Em julho, o líder máximo das Farc, Alfonso Cano, fez uma proposta de diálogo para o presidente Juan Manuel Santos, antes mesmo do pedido de Chávez. A oferta foi recusada após o atentado com um carro-bomba em Bogotá, dia 12, cuja suspeita de autoria recaiu sobre os guerrilheiros.

Desde 2002, quando o ex-presidente Álvaro Uribe assumiu, o governo colombiano acirrou o confronto com as Farc, contanto até mesmo com o apoio financeiros dos EUA. Nos últimos meses, vários integrantes do círculo de defesa de Cano, foram mortos. Além disso, milhares de rebeldes desertaram em resposta ao plano de recompensa financeira oferecida pelo governo aos desmobilizados e o Exército resgatou os principais reféns da guerrilha, como a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt.

Segundo militares colombianos, o contingente das Farc passou de 18 mil guerrilheiros, no início dos anos 90, para 8 mil, atualmente. Em 2002, as Farc controlavam um quarto do território do país. Hoje, contam com o apoio de apenas 2% da população colombiana.

Até o ex-presidente cubano Fidel Castro - cujo país está longe de ser visto como modelo de tratamento a seus próprios prisioneiros - criticou a forma como as Farc mantêm seus reféns. O presidente do Equador, Rafael Correa, também adota um discurso contra a guerrilha, apesar de suas relações tensas com Bogotá.

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