Enfraquecido, Berlusconi enfrenta votação chave no Parlamento italiano

Se for derrotado, premiê terá de renunciar e convocar novas eleições

Luiz Raatz, do estadão.com.br

14 de dezembro de 2010 | 02h12

Denúncias e escândalos fizeram Berlusconi perder força no Parlamento.

 

SÃO PAULO - O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, enfrenta na terça-feira, 14 duas moções de confiança no Parlamento. Se for derrotado, terá de renunciar e novas eleições serão convocadas. O premiê perdeu força política após uma série de denúncias de corrupção e escândalos sexuais nos últimos dois anos.

 

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Berlusconi rompeu em julho com Gianfranco Fini, seu aliado de longa data e presidente da Câmara, que fundou com ele o partido Povo da Liberdade (PDL). "O Fini entendeu que o Berlusconi já estava em decadência. Ele vê a possibilidade de ser o novo líder da centro-direita e aglutinar esse bloco em torno dele", explica o professor Giorgio Romano, da Universidade Federal do ABC e do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP (Gacint).

 

Desde o começo do ano, Fini dava mostras de dissidência em relação às políticas do premiê. Suavizou o projeto de lei da mordaça, resguardando os direitos de jornalistas e membros do Ministério Público, e se opôs a mudança nas regras de nomeação de magistrados, que favoreceriam Berlusconi no julgamento de denúncias de corrupção.

 

Após a ruptura, Fini fundou uma nova legenda, o Partido Futuro e Liberdade para a Itália, e levou com ele 35 deputados. Quatro ministros do gabinete de Berlusconi leais ao presidente da Câmara pediram demissão.

 

Além da tensão política, Berlusconi tem se envolvido em uma série de escândalos sexuais. O primeiro surgiu no ano passado, quando Giampaolo Tarantini, um empresário de Bari preso por tráfico de drogas, disse ter pago 30 garotas de programa para participar de festas em uma mansão do premiê na Sardenha. Entre as convidadas estava uma prostituta de luxo, Patrizia D'Addario, que posteriormente afirmou ter passado uma noite com o premiê em Roma.

 

Frente às acusações, Berlusconi disse "não ser santo", mas negou ter pago por sexo. O escândalo culminou no divórcio do premiê. Sua ex-mulher, a atriz Veronica Lario, pediu uma pensão anual de R$ 130 milhões.

 

Em maio deste ano, o primeiro-ministro se viu envolvido em outro escândalo. Uma adolescente marroquina de 17 anos, apelidada de Ruby, disse ter recebido R$ 15 mil de Berlusconi, depois de ir a duas festas do premiê em uma mansão em Arcore, nos arredores de Milão.

 

O chefe de governo italiano respondeu as acusações com uma declaração polêmica. "É melhor gostar de garotas jovens do que ser gay", disse. Em outro episódio, o premiê telefonou ao chefe de polícia da cidade para tenta livrar a garota de uma acusação por roubo.

 

"A política italiana é muito complexa. Na guerra fria a principal ancora de poder na Itália era a democracia cristã, repleta de valores conservadores. Quando essa lógica caiu, a centro-direita se reorganizou em torno desse fenômeno do Berlusconi, cujo comportamento está distante dos valores católicos", acrescenta o professor.

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