Enfraquecido, Bibi pode corrigir erros com relação a Obama

É improvável que líder americano retome meta de obter um acordo de paz, mas deve haver menos atrito entre ambos

MARK LANDLER, THE NEW YORK TIMES, WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2013 | 02h05

Para o presidente Barack Obama, cujo relacionamento com o primeiro-ministro israelense, Binyamin "Bibi" Netanyahu, com frequência foi o de um casal numa união sem amor, os últimos três meses devem ter lhe proporcionado alguma satisfação.

Em novembro, Obama venceu a reeleição, derrotando Mitt Romney, o favorito declarado de Netanyahu. E, na terça-feira, Netanyahu tropeçou na própria aposta para se reeleger, já que seu partido, o Likud, obteve apenas o número de assentos necessário para mantê-lo no poder, mas não correspondeu às expectativas diante do grande aumento de eleitores de centro.

Não houve muito alarde por parte da Casa Branca, pelo menos em público, com as notícias vindas de Israel. Funcionários do governo não comentaram como o revés sofrido por Netanyahu pode afetar suas relações com Obama, especialmente porque o líder israelense ainda não começou a formar uma coalizão de governo.

Analisando as implicações dessa eleição, analistas afirmam que é mais do que favorável para Obama este novo cenário político em Israel. A posição de fraqueza de Netanyahu pode dar espaço para uma melhora das relações entre o premiê israelense e o presidente. Segundo a apuração final, a direita obteve 61 das 120 cadeiras do Parlamento, 1 a mais que o necessário para governar.

Se, como os analistas esperam, Netanyahu tentar formar uma coalizão de centro-direita incluindo Yair Lapid, cujo partido, o Yesh Atid, conquistou 19 cadeiras no Parlamento, isso poderá aparar as arestas da coalizão de direita atual. Lapid poderá levar o governo a uma nova direção que aplacaria as permanentes fontes de tensão com Obama. Por exemplo, ele está mais interessado na criação de empregos e habitação do que em expandir a construção de assentamentos judaicos na Cisjordânia, uma fonte recorrente de atrito entre Obama e Bibi.

Com o belicoso ex-general Ehud Barak deixando o Ministério da Defesa, Netanyahu poderá se ver menos pressionado no sentido de um ataque unilateral contra o Irã. O que será um alívio para a Casa Branca.

"Bibi mais fraco liderando um governo com alguns centristas foi o melhor resultado que a Casa Branca esperaria", disse Aaron David Miller, negociador para o Oriente Médio. "Isso pode melhorar as chances de se evitar uma guerra com os iranianos e preservar a chance de um acordo de paz com os palestinos".

O resultado mais otimista, segundo Miller, seria Obama e Netanyahu manterem um relacionamento em que continuariam divergindo com relação a questões como os assentamentos, mas conseguiriam manejar essas diferenças mais habilidosamente.

Uma questão interessante, disse Martin Indyk, ex-embaixador americano em Israel, é se Lapid exigirá concessões para se unir à coalizão, como um congelamento na construção de habitações para os colonos, pois isso pode indicar uma mudança no programa da direita.

Praticamente ninguém prevê que um novo governo em Israel vai permitir a Obama reavivar sua meta do primeiro mandato, de um acordo de paz entre israelenses e palestinos. O clima político de ambos os lados continua hostil a essa iniciativa. E Obama, também não parece disposto a investir muito neste esforço pela paz no Oriente Médio. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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