Ben Stansall/AFP
Ben Stansall/AFP

Engarrafamentos e paralisações industriais ameaçam o Reino Unido sem acordo pós-Brexit

A três semanas da data limite, negociações estão estagnadas, preocupando empresas e autoridades

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2020 | 07h00

LONDRES - Escassez de produtos, engarrafamentos monstruosos, portos bloqueados e fábricas fechadas. Diante da estagnação das negociações pós-Brexit entre Londres e Bruxelas a três semanas da data limite, o Reino Unido se prepara para o caos que pode ser gerado por uma ruptura sem acordo.

Desde o início da semana, as federações industriais alertaram sobre o caos que se aproxima a partir de 1o de janeiro, já que sem saber se haverá ou não um acordo comercial com a União Europeia, muitas empresas não conseguiram se preparar para dar o grande salto.

"As empresas britânicas continuam esperando um acordo do Brexit, mas enfrentarão dificuldades a partir de 1o de janeiro, aconteça o que acontecer", afirmou Darren Jones, presidente da comissão parlamentar britânica sobre empresas após um encontro com representantes industriais na terça-feira. 

Os representantes alertaram sobre uma "possível escassez de alimentos e aumento de preços, mesmo se houver um acordo, um aumento de custos para a indústria do automóvel e preocupação sobre os serviços financeiros". 

James Sibley, diretor de assuntos internacionais da Federação Britânica de Pequenas Empresas (FSB), disse à BBC na quinta-feira, 10, que esperava "terríveis turbulências em janeiro". 

Devido à pandemia, os portos estão congestionados há semanas e os circuitos de abastecimento interrompidos, antecipando o cenário que se aproxima.

Muitas empresas tentam receber suas entregas antecipadamente para evitar os temidos transtornos de janeiro, ou pedem maior quantidade para ficar em dia com o atraso acumulado durante os confinamentos.

Na quarta-feira, foram registrados engarrafamentos quilométricos a partir de e com destino ao porto de Dover, no Canal da Mancha.  

E a situação pode piorar muito se não houver acordo com a UE.

Em um relatório sobre o "pior cenário razoável", o governo britânico previu filas de 7 mil caminhões bloqueados durante dois dias nas estradas e enormes estacionamentos de emergência perto de Dover. 

Na quinta-feira, o jornal Financial Times informou sobre um grupo de trabalho denominado D20 - dezembro 2020 - dedicado aos caóticos cenários que podem surgir após 1o de janeiro, inclusive a inundação dos estacionamentos de emergência em caso de fortes chuvas de inverno, cortes de energia ou escassez de combustível. 

Segundo o jornal, o ministro do Transporte Grant Shapps alugou balsas de emergência para tentar desbloquear os engarrafamentos de caminhões durante seis meses a um custo de 77 milhões de libras (102 milhões de dólares, 84 milhões de euros). 

Sem um acordo comercial entre o Reino Unido e a UE, a partir de 2021 as relações comerciais entre o país e o bloco serão administradas pelas normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Isso significa que muitas categorias de produtos estarão sujeitas a tarifas, provavelmente taxas, e formalidades administrativas inexistentes no mercado único europeu. /AFP

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