Engenheiro palestino detido em Israel declara inocência

Dirar Abu Sisi, o engenheiro palestino que desapareceu de um trem na Ucrânia e misteriosamente surgiu numa prisão israelense, fez suas primeiras declarações públicas hoje, acusando Israel de tê-lo sequestrado "sem razão alguma" e afirmando que não tem informações sobre o soldado Gilad Schalit, sequestrado na Faixa de Gaza em 2006.

AE, Agência Estado

31 Março 2011 | 16h37

Abu Sisi falou ao entrar num tribunal israelense na cidade central de Petah Tikva, para uma rápida audiência que estendeu sua ordem de prisão até a próxima terça-feira. Sua advogada israelense, Smadar Ben-Natan, afirmou que as autoridades disseram que ele será indiciado na semana que vem, mas as acusações não foram divulgadas.

O caso do engenheiro continua envolto em segredos por causa de uma ordem da censura militar israelense, que proíbe a publicação da maior parte dos detalhes. Ele desapareceu nas primeiras horas do dia 19 de fevereiro, após entrar num trem na cidade ucraniana de Kharkiv. Sua família acusa a agência de espionagem israelense Mossad de tê-lo sequestrado.

Ao entrar no tribunal, Abu Sisi, de 42 anos, disse aos jornalistas que é apenas um engenheiro de uma usina de energia em Gaza e que "Israel me sequestrou sem razão alguma". Ele também disse que não sabe nada sobre o sargento Gilad Schalit, soldado israelense capturado durante um ataque na fronteira entre Gaza e Israel em 2006, por militantes ligados ao Hamas.

A revista alemã Der Spiegel especulou nesta semana que Israel poderia ter capturado Abu Sisi para tentar conseguir informações sobre o destino do soldado. Os militantes não permitem qualquer tipo de acesso a Shalit desde a sua captura. Eles divulgaram apenas um breve comunicado em vídeo em outubro de 2009.

Ontem, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu falou sobre o caso pela primeira vez, afirmando que Abu Sisi pertence ao Hamas, o grupo militante que governa Gaza. Segundo ele, Abu Sisi revelou informações importantes, mas Netanyahu não deu maiores detalhes.

O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, negou que Abu Sisi tenha qualquer ligação com o grupo. "Nós vemos as declarações de Netanyahu sobre Abu Sisi como uma tentativa de encobrir um crime de Israel", disse. "Nós achamos que o governo ucraniano deveria assumir a responsabilidade e pedir a libertação imediata que Abu Sisi".

A mulher de Abu Sisi, que é ucraniana, disse que agentes israelenses o sequestraram para sabotar uma importante usina de energia em Gaza, onde ele trabalhava. Ela afirmou que ele estava na Ucrânia para pedir a cidadania ucraniana. Engenheiros que trabalhavam com Abu Sisi e vizinhos disseram à Associated Press que ele era partidário do Hamas, tendo em vista seu alto cargo na usina, controlada pelo grupo militante.

Abu Sisi apareceu numa prisão israelense dias depois de ter sumido na Ucrânia. Israel confirmou que o tinha sob custódia apenas um mês depois de seu desaparecimento. O Centro Palestino para os Direitos Humanos, sediado em Gaza, que enviou um de seus advogados para visitar Abu Sisi na cadeia, informou que o engenheiro disse que foi arrastado para fora de sua cabine quando estava dormindo, encapuzado e algemado por agentes israelenses e forçado a entrar num avião para Israel.

Hoje, o embaixador palestino na Ucrânia, Mohammed Alassad, acusou Israel de "pirataria" no caso de Abu Sisi, chamando a questão de "um crime internacional que precisa ser punido". Falando por meio de um tradutor em Kiev, Alassad disse que as autoridades palestinas ainda esperam uma declaração do governo ucraniano sobre como Abu Sisi foi parar em Israel. O governo ucraniano afirmou que não esteve envolvido na operação e que espera por uma explicação oficial de Israel. As informações são da Associated Press.

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