Engraxate brasileiro conta como foi o atentado

Quinze brasileiros trabalham como engraxates no complexo do World Trade Center em Nova York. A esperança é que, como atuam principalmente no térreo dos prédios, tenham conseguido escapar do desabamento logo após os primeiros estrondos de explosões iniciais.Foi o que aconteceu com Francisco Teixeira, o Chicão, que viu, já do lado de fora, quando as duas torres vieram abaixo. "Eu estava trabalhando quando ouvi um barulho forte e várias pessoas começaram a entrar para dentro da loja correndo. Ninguém sabia o que estava acontecendo. De repente, todos começaram a sair para fora do prédio e eu também saí, sem nem saber porque". Além de Chicão, dois outros brasileiros, Jamil e Jesus, trabalham na loja Minas Shoe Repair - que, apesar do nome, não é de imigrantes mineiros, mas de um proprietário grego. Os dois também escaparam ilesos.CorposQuando saiu do World Trade Center, Chicão viu espalhados pela rua pedaços de computadores, material de escritório, e vários corpos de pessoas que haviam caído ou se jogado lá de cima. Na companhia de uma amiga, Silvânia, Chicão foi para uma praça ao lado. De lá, parou para ver o que estava acontecendo. Era muita fumaça. Várias pessoas caíam ou se jogavam de cima das duas torres do World Trade Center. Chicão viu quando um dos prédios começou a "entortar" na direção da praça em que estava, próximo à Liberty Street. "Eu disse pra Silvânia, vamos embora que o prédio vai cair. Ela não acreditou, eu tive de puxá-la pelo braço. Só aí todo mundo que estava parado olhando começou a correr para mais longe".Segunda vezJá em Newark, conversando no restaurante Tropicana, ponto onde se reúnem imigrantes brasileiros, Chicão agradecia a Deus por ter-lhe salvo a vida pela segunda vez. Em 93, ele havia deixado o trabalho momentos antes de uma bomba explodir no World Trade Center, para voltar para casa.Aliviado por ter escapado com vida dos atentados ao WTC, Chicão agora se preocupa com trabalho. "Vou ter de arrumar alguma coisa rápido, pois além das despesas aqui tenho família no Brasil", disse o engraxate, que ganhava cerca de US$ 450 por semana. VizinhoOutro engraxate que testemunhou a tragédia foi Éder Lobato, que trabalha no complexo vizinho, o World Financial Center. Ele ouviu a primeira explosão e correu para ver da janela. Chegou a ajudar as autoridades na evacuação dos prédios e dando instruções para as pessoas que, atônitas, testemunhavam a tragédia Do lado de fora do prédio, Lobato viu mais de dez pessoas caírem dos prédios. "As pessoas se jogavam e se espatifavam no chão, como tomates. Foi horrível". Quando ficou evidente que não se tratava de um acidente, os policiais dispensaram sua ajuda e pediram que ele e os demais trabalhadores da área se retirassem.

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