Enquanto a guerra persistir, será inútil escoar recursos para Gaza e Cisjordânia

As finanças palestinas estão no fundo do poço e os doadores pretendem verter para dentro dele toneladas de dinheiro. Os US$ 5,6 bi pedidos são uma soma gigantesca e uma gota d? água. De todo o planeta, o povo palestino é o que recebe as maiores ajudas. Mas apesar dessas enormes somas, sua economia está à beira da catástrofe.Esse marasmo pode ser explicado de várias maneiras. Um dos problemas é que o Exército israelense sufoca todos os esforços palestinos. Os postos de controle multiplicam-se na Cisjordânia. Em Gaza, em nome da segurança, impõe-se um bloqueio feroz. E como os integrantes do Hamas teimam em disparar foguetes contra Israel, a chance de romper esse ciclo infernal é mínima.As autoridades palestinas, nos últimos sete anos, têm direcionado a ajuda não para a produção, mas para o setor público. O povo palestino transformou-se numa sociedade de funcionários públicos. Se é verdade que isso permite aos palestinos sobreviverem, a economia, em compensação, só pode ser arruinada.Não existe muita perspectiva de melhora. Apesar das promessas da recente reunião de cúpula em Annapolis, nos EUA, para a criação de um Estado palestino antes do final de 2008, Israel continua desconfiado e não tem intenção de aliviar a pressão. Em Gaza, Israel ameaça cortar o fornecimento de eletricidade. Um desastre programado.E a disputa entre Israel e palestinos é agravada por um segundo confronto, entre os próprios palestinos. As terras palestinas são divididas em duas regiões: a Cisjordânia, administrada pelo Fatah de Mahmud Abbas, formada por políticos moderados que aceitam negociar com Israel; e Gaza, que caiu nas mãos dos extremistas do Hamas, que sonham apagar Israel do mapa. O perigo é que a ajuda internacional beneficie mais o Fatah do que o frenético Hamas - o que reforçará a posição dos setores mais violentos desse movimento. Isso já ocorre e explica a miséria de Gaza, onde a taxa de desemprego é de 35% contra 18% na Cisjordânia. O índice de pobreza extrema na Cisjordânia chega a 13%; em Gaza, é de 35%.O Banco Mundial alertou novamente que é inútil escoar tanto dinheiro se os palestinos permanecerem em guerra consigo mesmos e se Israel continuar paralisando qualquer movimento. Esse discurso, porém, não é ouvido em Jerusalém. * Gilles Lapouge é correspondente em Paris

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