Enquanto impasse persiste, economia italiana naufraga

Dados confirmam forte retração do PIB do país, que caiu 2,4% em 2012; dívida chega a 127% da riqueza nacional

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL / ROMA, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2013 | 02h05

Os três anos de austeridade fiscal iniciados com o ex-premiê italiano Silvio Berlusconi e aprofundados por seu sucessor, Mario Monti, não amenizaram a grave crise econômica do país. Dados divulgados ontem pelo Escritório Nacional de Estatísticas (Istat), de Roma, indicam que a missão do ex-comunista, hoje social-democrata Pier Luigi Bersani será ainda mais difícil do que o previsto - caso o líder do Partido Democrático (PD) consiga de fato governar com um gabinete minoritário no Parlamento.

Nunca desde a criação das atuais séries estatísticas da Itália, em 1990, a dívida externa do país foi tão elevada. Ela comprometia em dezembro o equivalente a 127% do Produto Interno Bruto (PIB) - o equivalente ao nível da dívida da Grécia, país contemplado por dois pacotes de socorro apoiados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e por um programa de corte de dívidas. O aumento da dívida italiana ocorreu porque o desempenho da economia em 2012 foi pior que o previsto: recessão de 2,4%. Outros indicadores também fecharam no vermelho. O consumo recuou 4,3%, e mesmo despesas essenciais, registraram quedas de 10,2% e 8,5%, respectivamente. Além disso, o desemprego é recorde. Ele foi de 11,7% da população ativa em fevereiro. Entre jovens, a taxa chega a 38,7%.

Para analistas políticos e econômicos ouvidos pelo Estado nas últimas duas semanas, a explosão da crise financeira na Itália, a forte redução das despesas públicas e a redução do crescimento e do nível de emprego desempenharam um papel-chave nas eleições dos dias 24 e 25. Jovens, os mais atingidos pelo desemprego, também foram os que mais votaram em Beppe Grillo, candidato do Movimento 5 Estrelas, que defende o abandono do euro pela Itália.

Esse será o desafio que Bersani terá pela frente se conseguir o voto de confiança do Parlamento e formar um governo com maioria na Câmara e de minoria no Senado. Para Pascal de Lima, economista e pesquisador do Instituto de Estudos Políticos (Sciences Po), de Paris, os sucessivos cortes de gastos exigidos dos países em crise pela União Europeia resultaram no aprofundamento da situação.

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