Enquanto Israel e Hamas discutem trégua, violência mata 16 em Gaza

Divergência diplomática. Porta-voz do grupo islâmico Hamas e primeiro-ministro israelense trocam acusações sobre violações de propostas de cessar-fogo; violência não dá sinais de retroceder após 20 dias da operação Limite Protetor na Faixa de Gaza

CIDADE DE GAZA, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2014 | 02h04

Israel e Hamas passaram o domingo culpando um ao outro pelas mortes dos últimos 20 dias da operação Limite Protetor na Faixa de Gaza. Enquanto os dois lados anunciavam propostas para um cessar-fogo na região, a violência não parou. Ontem, 15 palestinos e um soldado israelense morreram, fazendo o número total de vítimas dos dois lados passar de 1.110.

Durante todo o dia, israelenses e palestinos se acusaram de violar propostas de cessar-fogo. No início do domingo, Israel havia cancelado sua própria trégua de 24 horas, depois que o Hamas disparou uma saraivada de foguetes contra o sul e centro do país. Segundo os militares israelenses, a decisão foi tomada após o Hamas e outras milícias palestinas terem disparado 25 foguetes contra Israel em menos de dez horas.

"Depois do disparo incessante de foguetes pelo Hamas durante a trégua humanitária, declarada unilateralmente à meia-noite (horário local), o Exército retoma as atividades por ar, terra e mar na Faixa de Gaza", dizia um comunicado israelense.

Poucas horas depois de aparentemente rejeitar a trégua humanitária e disparar foguetes contra Israel, Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, anunciou que o grupo concordava com mais 24 horas de cessar-fogo a partir das 14 horas (horário local), 8 horas de domingo, em Brasília.

"Em resposta à intervenção da ONU e considerando a situação de nosso povo e por ocasião do Eid al-Fitr (celebração religiosa dos muçulmanos), foi feito um acordo entre as facções de resistência para endossar as 24 horas de calma humanitária, a partir de 14 horas de domingo", disse o porta-voz. Israel ironizou as declarações. "O Hamas viola o seu próprio cessar-fogo e continua a disparar contra nós", afirmou o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

Combates. Enquanto os dois lados não se entendiam no campo diplomático, as hostilidades prosseguiram na Faixa de Gaza. Os bombardeios israelenses mataram ontem 15 palestinos e deixaram 53 feridos, enquanto um soldado israelense morreu após disparo de um morteiro do Hamas.

No total, segundo fontes médicas em Gaza, 1.062 palestinos morreram - a maioria civis. As baixas do lado de Israel chegaram a 46, sendo 43 soldados e 3 civis. No início da noite, o comando do Exército de Israel anunciou a ordem de disparar apenas caso suas tropas sejam atacadas.

Enquanto a violência não dá sinais de diminuir na Faixa de Gaza, a Cisjordânia ocupada também ameaça ser envolvida nos confrontos entre palestinos e forças israelenses. Nos últimos três dias, dez palestinos morreram e cerca de 600 pessoas ficaram feridas durante uma onda de protestos contra a ofensiva militar de Israel.

Ontem, a polícia israelense disse que frustrou um "ataque mortal" quando apreendeu um carro carregado com explosivos que tentava chegar a Israel por meio de um posto de controle na Cisjordânia.

Se o derramamento de sangue em Gaza continuar por muito mais tempo, de acordo com analistas palestinos, pode ser impossível para Israel ou para o presidente palestino, Mahmoud Abbas, manter o controle sobre a crescente insatisfação na Cisjordânia. / NYT, REUTERS, AP E AFP

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelFaixa de GazaONUHamas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.