Enquanto milhares fugiram em Las Vegas, alguns ficaram e ajudaram a salvar vidas

Enquanto milhares fugiram em Las Vegas, alguns ficaram e ajudaram a salvar vidas

Mesmo sem formação médica, americanos solidários ofereceram suporte e levaram centenas para longe do perigo

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 18h23

Na contramão dos milhares que tentavam fugir do ataque a tiros em Las Vegas nesta segunda-feira, 2, algumas pessoas ficaram para trás e ajudaram as vítimas. É o caso do ex-jogador de baseball Todd Blyleven, de 45 anos, que havia viajado com a família e amigos de Dallas a Las Vegas para o show. "Você olhava para cima e podia ver as faíscas dos disparos da arma na janela do Mandalay Bay", disse ao Washington Post. "A iluminação do palco apagou, Jason Aldean e a banda saíram correndo. Todos começaram a gritar, então eu comecei a ver pessoas caindo no chão."

Blyleven explicou que ele e o cunhado guiaram seu grupo até a saída do local, se escondendo nas barracas de churrasco, enquanto os disparos continuavam. Assim que todos os seus parentes e amigos estavam na parte de fora, Blyleven voltou ao local e reuniu um grupo de voluntários, na esperança de salvar mais pessoas.

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"O tiroteio parece ter durado uns 10 ou 15 minutos", disse Blyleven. Ele afirmou ter visto um policial ferido no pescoço carregando o corpo de uma jovem baleada. "Garotas e garotos, pessoas mais velhas. Todos saindo de um show de música country com buracos de bala", contou. "Todos estavam apenas tentando fazer o possível para tirar aquelas pobres pessoas da mira da arma."

O americano diz que não tem formação médica, mas se sentiu obrigado a fazer o que pudesse para salvar vidas. "Senti que era meu dever", disse Blyleven, que estima ter ajudado entre 30 a 40 pessoas. "Espero que se eu ou minha família estivéssemos numa situação como aquela, alguém viesse e me salvasse."

Vídeos mostram pânico durante ataque em festival

Durante o ataque a tiros, Mike McGarry, de 53 anos, consultor financeiro da Filadélfia, tentou salvar seus filhos. "Foi absurdo. Me deitei por cima das crianças. Eles têm 20 anos, eu tenho 53. Eu vivi uma vida boa", disse McGarry à Reuters. Ele revela que ficou com marcas de sapato na parte de trás camisa, por conta de todas as pessoas que pisaram nele para fugir.

Um homem disse à Fox News que se escondeu atrás de uma mesa e, quando tudo acabou, ajudou a colocar diversos corpos dentro de um caminhão. Em um dos vídeos divulgados, uma pessoa se aproxima de um veículo e diz para o motorista: "Ei, amigo. Precisamos do seu carro agora. Nós só queremos levar pessoas ao hospital, ok?" "Ok", respondeu a motorista. "Coloque todos lá atrás". Ao fundo, aparecem pessoas carregando vítimas para levá-las ao atendimento médico.

Jessica Perez, de 21 anos, é outra que se dirigiu ao local do ataque para ajudar. Ela descobriu o que tinha acontecido quando estava deitada em casa e, em seguida, carregou seu carro com água potável e foi ajudar as vítimas, com o irmão e o primo. "Não podíamos ficar em casa fazendo nada", disse ao Washington Post. "Todos estavam implorando para que não fôssemos, mas não podíamos só ficar sentados ali". Ela disse estar abalada com o que aconteceu. "Minha cabeça dói e eu não consigo acreditar que isso está acontecendo no meu lar." / WASHINGTON POST

 

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