Sputnik/Alexei Nikolskyi/Kremlin via REUTERS
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Enquanto Putin se opõe à vacinação obrigatória contra a covid-19, Rússia tem novo recorde de mortes

O país está enfrentando um pico de infecções causadas pela variante Delta, que é altamente infecciosa

AFP, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2021 | 09h00

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu, nesta quarta-feira, 30, que os cidadãos "ouçam os especialistas" e se vacinem contra a covid-19, apesar de se opor à imunização obrigatória a nível nacional.

O comentário do líder político ocorre no mesmo dia em que a Rússia registrou, pelo segundo dia seguido, um novo recorde de mortes por covid-19: 669 óbitos, apenas nas últimas 24h.

"Não apoio a vacinação obrigatória", disse ele numa sessão anual televisionada em que responde a perguntas de cidadãos, a quem convidou para se vacinarem voluntariamente.

"Sempre houve pessoas que, de uma forma geral, consideram que as vacinas não devem ser dadas, e há muitas (...) não só no nosso país mas também no estrangeiro", disse ele. Mas "não devemos dar ouvidos a pessoas que não entendem nada destas coisas, que se baseiam em rumores, mas sim aos especialistas", acrescentou ele.

Embora discorde da imunização obrigatória em todo o país, Putin observou que, para evitar o confinamento rigoroso, "algumas regiões estão introduzindo" essa vacinação obrigatória "para certas categorias" de pessoas.

Há duas semanas, após relatar uma situação "dramática", o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, decretou a vacinação obrigatória de todos os empregados do setor dos serviços.

O país está enfrentando um pico de infecções causadas pela variante Delta, que é altamente infecciosa. Na terça-feira, as autoridades do país haviam anunciado 652 mortes pelo novo coronavírus, o maior número de óbitos até então.

As cidades mais atingidas são a capital, Moscou, e São Petersburgo, a segunda maior cidade do país e sede dos jogos de futebol do Campeonato Europeu, que relataram 117 e 111 mortes, respectivamente.

No total, o país registrou 21.042 novas infecções nas últimas 24 horas e soma agora 5,5 milhões de casos desde o início da pandemia.

O número de mortes oficialmente registradas é de 135.214, mas a agência estatística Rosstat, que tem uma definição mais ampla de mortes relacionadas à covid-19, tinha contado 270.000 mortes até ao final de abril. 

A Rússia é o país europeu com o maior número de mortes por covid-19. Os números sobem enquanto a campanha de vacinação lançada em dezembro caminha lentamente, devido à desconfiança do público.

Moscou impôs novamente medidas como o regresso ao home office para alguns empregados, vacinação obrigatória para os trabalhadores do setor de serviços e um passe de saúde para ir a restaurantes.

Mas por agora não há planos para um confinamento geral como o imposto na capital durante a primavera de 2020.

O governo admitiu na segunda-feira que o seu objetivo de ter 60% da população vacinada até o outono era inalcançável.

 

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