EFE/HAYOUNG JEON
EFE/HAYOUNG JEON

Enquanto Reino Unido decide futuro do país, demais europeus temem ser expulsos da região

Cidadãos europeus que vivem no território britânico devem ter que lidar com novas regras, documentos e restrições

O Estado de S. Paulo

23 Junho 2016 | 11h59

LONDRES - Há alguns meses atrás, o advogado Yves Elbaz, que tem um escritório em Londres, vasculhou entre seus documentos de impostos e extratos bancários, e começou a escrever sua solicitação às autoridades britânicas de imigração. A população do Reino Unido vota nesta quinta-feira, 23, em um referendo sobre permanência ou não do país na União Europeia (UE), e Elbaz, que é franco-canadense, quer ter certeza de que poderá ficar no território britânico.

“Adoro a ideia de viver todos os dias em uma ilha, onde os fundamentos da língua inglesa começaram”, diz o homem de 36 anos.

Assim como outros que possuem um passaporte do bloco europeu, Elbaz chegou na Grã-Bretanha sem um visto e não precisou se incomodar em fazer um antes de começar a trabalhar. Mas esse princípio de livre movimento pode ter que ser renegociado ou mesmo abandonado em razão de um novo regime de visto, se os eleitores optarem pelo Brexit, a saída britânica da UE.

Cerca de 3 milhões de cidadãos europeus que vivem no Reino Unido não serão expulsos da região da noite para o dia, mas terão que lidar com novas regras e novos documentos, além de potenciais restrições que têm deixado algumas pessoas ansiosas, segundo o advogado Colin Yeo.

Alguns partidários do Brexit têm dito que as pessoas que já estão no Reino Unido não precisam se preocupar, enquanto outros sugerem a introdução de um sistema de permissão de trabalho, que propõe que apenas trabalhadores especializados em áreas em que há escassez de profissionais no país poderão ficar.

“Nos últimos dois meses, conheci algumas pessoas que estão muito preocupadas sobre suas posições no país”, disse Yeo. “Ouvi de advogados especializados em imigração que estão vendo da mesma forma.”

Cidadãos europeus podem pedir cidadania britânica após cinco anos de residência contínua no Reino Unido, ou menos se eles se casarem com um cidadão britânico. O processo pode levar um ano para ser concluído, dependendo das circunstâncias.

Até agora, a corrida para conseguir um passaporte britânico é fictícia. O fenômeno é muito recente para ser registrado em estatísticas oficiais. 

Os últimos dados mostram que o número de cidadãos europeus que procuram um passaporte britânico tem flutuado nos últimos anos entre 10 mil e 20 mil. Isso pode estar ligado ao fato de que o documento europeu dá direito a trabalho, saúde, educação, pensão do Estado e a votar em eleições.

Diante dessas circunstâncias, há pouco incentivo para a maioria dos cidadãos europeus desembolsarem dinheiro para pagar as pesadas taxas envolvidas em adquirir nacionalidade britânica, que podem facilmente chegar a US$ 2 mil ou mais.

Mas esse cenário pode mudar depois desta terça-feira, quando os britânicos votam para decidir se dão ou não adeus aos colegas europeus. /Associated Press

Veja abaixo: Brexit: o que é e quais as consequências

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