Enriquecimento da China não é ameaça mundial, diz Bill Gates

A riqueza crescente da China é boa para omundo e chegará um tempo em que a influência dos Estados Unidosficará no mesmo nível de sua participação na população mundial,disse o co-fundador da Microsoft, Bill Gates, nestasexta-feira. Ao lhe perguntarem em um encontro do Banco deDesenvolvimento Interamericano, em Miami, se enxergava acrescente influência da China na América Latina como umaameaça, Gates, um dos homens mais ricos do mundo, disse quenão. "O fato de a China estar enriquecendo é uma coisa muitoboa. O fato de mais pessoas estarem sendo educadas é imenso. Sevocê se importa com a condição humana, é claro que uma Chinamais rica é melhor", disse Gates em um seminário sobrefilantropia corporativa. "Se pensarmos neste tema de poder relativo, ficamos somenteno 'Meu país é o mais poderoso', então teremos de sernostálgicos e pensar em 1947", afirmou Gates, dizendo que opoder econômico e militar dos Estados Unidos atingiu seu augenesse ano. A Microsoft não registra uma enorme quantidade de vendas naChina, mas a demanda em mercados emergentes, como o chinês,representa uma parte crescente dos 51 bilhões de dólares dorendimento anual da companhia. A China, com sua economia em expansão faminta porcommodities, tem investido maciçamente na América Latina nosúltimos anos para poder ter uma fatia dos setores agrícola e demineração da região. A ascendente presença chinesa em uma área tradicionalmentevista pelos Estados Unidos como seu quintal despertou algumaspreocupações entre autoridades militares norte-americanas. A aceleração dos gastos militares da China em particular,chamou a atenção do Departamento de Defesa (Pentágono), e opapel do país asiático como credor dos Estados Unidos e suagrande participação nas importações norte-americanas causarammal-estar entre os conservadores do país. Gates, que em junho deixará suas responsabilidadesexecutivas na Microsoft para se dedicar em tempo integral àsatividades beneficentes da Fundação Gates, disse que avançoseconômicos e sociais no restante do mundo inevitavelmentedesgastariam a predominância dos Estados Unidos. "O fato é que os Estados Unidos têm cinco por cento dapopulação mundial. Em algum momento, teremos 5 por cento deinfluência mundial, e não há problemas nisso", disse Gates. (Reportagem de Michael Christie)

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