AFP PHOTO / LLUIS GENE
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Ensino catalão é visto como ‘usina separatista’

Unionistas criticam acesso de crianças no ensino infantil e fundamental à língua e ao ensino da história da região autônoma espanhola

Andrei Netto, Enviado Especial / Barcelona, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2017 | 05h00

BARCELONA  - Um currículo com ênfase no ensino do catalão, com mais disciplinas na língua local do que no espanhol e livros didáticos que focam na visão catalã da História. Professores que insistem em falar o idioma regional e demonstram má vontade com o espanhol, mesmo diante de pais que falam apenas a língua nacional. Liberação para protestos de rua, pichações em muros e mensagens de apoio à causa secessionista.

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São essas algumas das razões enumeradas por unionistas para acusar a escola pública da Catalunha de ser uma “fábrica de independentistas”. Entre os muitos temas que dividem a opinião pública local, a questão do ensino é uma das mais evocadas por unionistas. 

A denúncia é recorrente, e há pelo menos 10 anos faz parte dos argumentos de quem adverte para o crescimento do sentimento nacionalista na Catalunha. Pais afirmam ser vítimas de má vontade de direção, professores e de outros pais e que seus filhos acabam sofrendo bullying no ambiente escolar.

Isso aconteceria porque, pelo modelo de escolarização instituído nos anos 1980, o catalão tem mais espaço na escola fundamental e média. “Quando eu estudava, nos anos 1990, uma professora de matemática nos dizia que não falássemos castelhano porque era melhor falar em catalão para ‘pouco a pouco fazer o país’”, lembra uma profissional liberal catalã, pró-Madri. 

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Estudantes que participam das marchas estudantis pró-independência, confirmam sem dúvidas que aprendem mais em catalão na escola. E mesmo pais estrangeiros, como um casal de empreendedores franceses radicado em Barcelona, afirmam que percebem uma hegemonia pró-catalão na escola dos filhos. “Quanto a essa queixa os unionistas têm razão. Há claramente uma ênfase no catalão na escola dos meus filhos”, conta a mãe, há sete anos no país. 

Como tudo na Catalunha atual, entretanto, o assunto cria controvérsia. “O que é a escola catalã? Uma vitória que todo o povo conquistou e o Parlamento da Catalunha votou unanimemente”, diz Roser Garriga, professora aposentada. “Não há uma criança na Catalunha que não saiba castelhano. Mas há muitos que não falam catalão.”

Júlia Ortiz, 19 anos, estudante de fotografia, não vê problemas. “Na minha escola fazíamos disciplinas em catalão, castelhano, inglês, em latim, grego. Biologia e matemática eu tinha em castelhano, por exemplo”, recorda. “A escola em que vou hoje é toda em castelhano, e por três anos. Isso é mentira.” 

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