Entenda a crise de Darfur

Darfur é uma província semi-árida, na região oeste do Sudão, que é o maior país do continente. Sozinha, a região é maior do que o território francês.O país é dominado por uma população de origem árabe, enquanto em Darfur a composição é de origem centro-africana, na sua maioria nômades e de diversas etnias.Existe tensão em Darfur, que significa "terra dos Fur", há muitos anos por causa de território e direitos de pastagem entre os árabes majoritariamente nômades e os fazendeiros dos grupos étnicos de Fur, Massaleet e Zagawa.Há dois grupos rebeldes - o Exército de Libertação do Sudão e o Movimento para Justiça e Igualdade, que foi vinculado ao político sudanês de oposição Hassan Al-Turabi, mas há divisões entre os próprios grupos por causa de questões étnicas.Estima-se que cerca de dois milhões de pessoas fugiram de suas casas e 70 mil morreram na crise.Milícias árabes pró-governo são acusadas de genocídio contra a população africana negra da região pelos Estados Unidos. O conflitoAs hostilidades se iniciaram na região árida e pobre em meados de 2003, depois que um grupo rebelde começou a atacar alvos do governo, alegando que a região estava sendo negligenciada pelas autoridades sudanesas em Cartum.A retaliação do governo veio na forma de uma campanha de repressão da região, e mais de 2 milhões de pessoas deixaram suas casas. Há relatos de intenso bombardeio de vilarejos por aviões da força aérea, seguidos por ataques das milícias Janjaweed, que são africanos muçulmanos de origem árabe.Nos ataques dos Janjaweed, que usam camelos e cavalos, assassinatos, estupros e roubos são práticas comuns.Refugiados e observadores externos afirmam que há uma tentativa deliberada de se expulsar a população negra africana de Darfur.O governo admite a existência de ?milícias de auto-defesa?, mas nega que tenha ligações com os Janjaweed e diz que as acusações são exageradas.Muitas mulheres dizem que foram raptadas pelos Janjaweed e mantidas como escravas sexuais por mais de uma semana antes de serem libertadas. RefugiadosAqueles que conseguiram escapar da violência, agora estão vivendo em campos de refugiados espalhados por Darfur, enquanto cerca de 200 mil sudaneses cruzaram a fronteira do vizinho ChadeOs campos de refugiados dependem das doações internacionais de medicamentos e alimentos.De acordo com as organizações que prestam serviços humanitários, a violência tem tornado o trabalho de ajuda mais difícil e eventualmente impossível. Acordo de pazOs esforços da União Africana - um grupo de países africanos - para acabar com o conflito, resultaram num acordo de paz assinado neste ano.O governo sudanês concordou com os termos do acordo, mas somente uma facção do Exército de Libertação do Sudão, comandada por Minni Minawi, também assinou o pacto.Uma das condições do acordo era a de que o governo federal desarmaria os Janjaweed, mas não há indícios de que isso esteja para acontecer.Agora, o grupo de Minawi parece estar lutando ao lado das tropas do governo, contra os rebeldes, resultando em um aumento da violência depois que o acordo foi selado. Forças de pazA União Africana enviou 7 mil soldados para monitorar o cessar-fogo em Darfur, com o consentimento do Sudão.O problema é que se trata de uma força muito pequena para acabar com a violência, e Estados Unidos e Grã-Bretanha pressionam a Organização das Nações Unidas a mandar tropas à região.Apesar da União Africana ver a possibilidade com bons olhos, o governo sudanês afirma categoricamente que não permitirá a entrada de uma força de paz da ONU em seu território.

Agencia Estado,

06 de outubro de 2006 | 09h04

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