Entenda a crise e o protesto dos monges em Mianmá

País asiático vive a maior onde de contestação do regime militar em mais de 20 anos

Agências internacionais,

24 de setembro de 2007 | 12h35

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de Mianmá nos últimos dias em uma onda de manifestações liderada por monges budistas contra a junta militar que governa o país. Nos maiores protestos contra os generais desde que passeatas de estudantes foram esmagadas, há 20 anos, cerca de 100 mil pessoas aderiram ao movimento para a derrubada do regime. Os protestos começaram em 19 de agosto, motivados pelas altas dos preços dos combustíveis decretadas pelo governo, o que disparou os preços dos bens da cesta básica. As tensões agravaram-se no início de setembro, quando um grupo de monges foi agredido por soldados da tropa de choque durante uma manifestação pacífica. As ações promovidas pelos monges tornaram-se explicitamente políticas, apesar de líderes religiosos optarem por cânticos e orações ao invés de discursos inflamados. Os monges são muito respeitados no país e qualquer ato violento contra eles poderia provocar revolta da população. Cidadãos comuns que aderiram aos protestos deram o tom político entoando palavras de ordem do movimento pró-democracia: reconciliação nacional, libertação dos prisioneiros políticos e ênfase em campanhas de alimentação, agasalho e habitação. Os organizadores afirmaram  que vão continuar nas ruas até que o governo militar entregue o poder. O protesto dos monges começou a ganhar tom político quando manifestantes receberam permissão para passar diante da casa onde a líder do movimento democrático, Aung San Suu Kyi, é mantida em regime de prisão domiciliar. Ela acenou para os manifestantes em sua primeira aparição pública em mais de quatro anos. Suu Kyi passou 11 dos últimos 18 anos presa. Em 1990, o partido dela venceu as eleições nacionais, mas o pleito acabou anulado pelo Exército, e ela nunca pode assumir o governo. De acordo com analistas, o futuro das manifestações é imprevisível. Até agora, os generais no poder não têm reagido, mas há receios de que se repita o episódio de violência ocorrido em 1988, quando o último levante pró-democracia terminou com a morte de 3 mil pessoas.

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