Omar Ibrahim / Reuters
Omar Ibrahim / Reuters

Entenda a crise na Líbia desde a morte de Muamar Kadafi 

País rico em petróleo, a Líbia está mergulhada no caos desde a queda e o assassinato de Muamar Kadafi, em 2011

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2020 | 07h00

TRÍPOLI - País rico em petróleo, a Líbia está mergulhada no caos desde a queda e o assassinato de Muamar Kadafi, em 2011, com duas autoridades rivais e grupos armados que disputam o controle do território.

Reconhecido pela ONU, o governo de unidade tem sua sede em Trípoli, enquanto o líder militar do leste do país, Khalifa Haftar, apoia uma administração paralela. Confira abaixo a evolução dos acontecimentos no país:

Kadafi é assassinado

Promovidas por levantes na Tunísia e no Egito, manifestações explodiram na Líbia em fevereiro de 2011. Uma coalizão dirigida por Estados Unidos, França e Reino Unido apoia uma revolta armada. No poder por 42 anos, Kadafi foge da capital, mas é capturado e assassinado em 20 de outubro de 2011.

Três dias depois, o Conselho Nacional de Transição (CNT), rebelde, declara a "libertação total" da Líbia. Em agosto de 2012, o CNT entrega o poder a uma autoridade de transição, o Congresso Nacional Geral (CNG).

Embaixadas na mira

O então embaixador dos Estados Unidos, Chris Stevens, e três membros do pessoal americano foram assassinados em um ataque em 11 de setembro de 2012 contra seu consulado na segunda maior cidade da Líbia, Benghazi. Um grupo extremista ligado à rede Al-Qaeda se responsabiliza pelo ataque.

Um carro-bomba explode em abril de 2013 contra a Embaixada da França em Trípoli, ferindo dois guardas franceses. A maioria das delegações estrangeiras se retira de Trípoli.

Governos rivais

O general do Exército Haftar lança uma ofensiva em maio de 2014 contra grupos extremistas em Benghazi. Tem o apoio do Egito e dos Emirados Árabes Unidos. Vários oficiais militares do leste do país se unem a seu autodenominado Exército Nacional Líbio. Em meio à disputa de nacionalistas e islamistas pelo poder, eleições legislativas são realizadas em junho. Um Parlamento dominado por anti-islamistas sai vitorioso.

As milícias lideradas por islamistas impugnam os resultados e invadem Trípoli em agosto, restaurando o CNG no poder. Com reconhecimento internacional, o Parlamento eleito se refugia na cidade de Tobruk, ao leste. Com isso, o país se encontra dividido, com dois governos e dois Parlamentos.

Depois de meses de negociações e de pressão internacional, os legisladores dos Parlamentos rivais firmam um pacto em dezembro de 2015 para estabelecer um Governo de Acordo Nacional (GAN) reconhecido pela ONU. Em março de 2016, o chefe do GAN, Fayez al-Sarraj, chega a Trípoli para estabelecer o novo governo, mas a administração rival, de Haftar, nega-se a reconhecer sua autoridade.

Extremistas

Em dezembro de 2016, o GAN anuncia que as forças sob seu comando expulsaram o grupo Estado Islâmico de Sirte, cidade natal de Khadafi. Em julho de 2017, Haftar anuncia a "libertação total" de Benghazi do controle extremista. Al-Sarraj e Haftar se reúnem em Paris em maio de 2018 e concordam em trabalharem juntos para novas eleições. As divisões entre eles não fazem mais do que se aprofundar.

Haftar na ofensiva

Em janeiro de 2019, Haftar lança uma ofensiva no sul da Líbia, aparentemente destinada a acabar com "terroristas" e com grupos criminosos. Suas forças se apoderam de Sebha, a capital da região, e de um dos principais campos petroleiros do país, sem encontrar resistência.

Em abril, suas forças começam uma ofensiva para tomar Trípoli do GAN. Registram-se confrontos que deixam mais de 280 civis e 2 mil combatentes mortos em nove meses.

O conflito se estende para outros países: Turquia e Catar apoiam o GAN, enquanto Egito e Emirados Árabes Unidos ficam do lado de Haftar. Surgem informações de que a Rússia enviou mercenários para apoiar Haftar, embora Moscou negue esses rumores de forma categórica. / AFP

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