Entenda a crise no Partido Trabalhista britânico

O Partido Trabalhista, do primeiro-ministro britânico Tony Blair, envolto pelo escândalo das supostas negociações de doações ao partido em troca de títulos de nobreza, decidiu passar à ofensiva e propôs, nesta segunda-feira, colocar tais práticas na ilegalidade. O tesoureiro do Partido Trabalhista, Jack Dromey, denunciou o recebimento de uma série de doações milionárias feito por particulares que não se comunicaram nem com ele nem com outros órgãos do partido, como o Comitê Executivo Nacional. O vice-presidente do partido, John Prescott, reconheceu no domingo (19) não estar totalmente seguro de que não foram oferecidos títulos de Lord por doações. Revistas e jornais ingleses pediram a renuncia de Blair, após a confirmação do partido do recebimento de quase 14 milhões de libras esterlinas (cerca de US$ 25 milhões) em doações não declaradas no período da eleição do ano passado. Blair nega ter feito nomeações para a Câmara dos Lordes em troca de doações. Alguns doadores, como os empresários Chai Patel, fundador da clínica de desintoxicação Priory, e David Garrard, magnata do setor imobiliário, confirmaram que concederam importantes quantias aos trabalhistas. O Partido Trabalhista reverteu o equivalente a cerca de 26 milhões de euros na campanha eleitoral do ano passado, dos quais quase 21 milhões procederam de doações de indivíduos cuja identidades não foram a público. Essa não foi a primeira acusação de corrupção contra Blair. Há apenas meio ano depois de chegar ao poder foi revelado que seu partido havia recebido um donativo de 1,5 milhões de euros de Bernie Ecclestone, o chefe de corridas de Fórmula Um. Imediatamente se relacionou esta generosidade com a decisão do governo britânico de pronunciar em Bruxelas que este tipo de competição esportiva estaria isenta da proibição de publicidade de tabaco a nível europeu.

Agencia Estado,

20 Março 2006 | 12h52

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