Entenda a crise nuclear da Coréia do Norte

O ministério das relações exteriores da Coréia do Norte anunciou nesta segunda-feira que o país conduzirá novos testes nucleares ?em breve?.Em sete perguntas e respostas, a BBC Brasil analisa a crise sobre as ambições nucleares da Coréia do Norte e quais as chances do assunto ser resolvido.A questão realmente é importante?Sim. O braço-de-ferro entre Coréia do Norte e Estados Unidos é, possivelmente, a maior ameaça à segurança do sudeste asiático, a curto e longo prazo. O teste confirmaria a existência de ogivas nucleares no país e encerraria as possibilidades de negociações multilaterais entre os seis países envolvidos (EUA, China, Japão, Coréia do Norte, Coréia do Sul e Rússia).Além disso, aumentaria muito as chances de uma corrida armamentista nuclear na região, onde países como Coréia do Sul e Japão passariam a considerar o desenvolvimento de um programo nuclear.O que se sabe sobre o programa nuclear da Coréia do Norte?A Coréia do Norte diz que tem armas nucleares e que está trabalhando na construção de um arsenal maior. O problema para o resto do mundo é a dificuldade de verificar estas afirmações. A maioria dos especialistas em armamento nucleares acredita que o país não tinha um programa nuclear ativo - pelo menos até 1994, quando assinou um tratado de suspensão de pesquisas relativas a esse tipo de armamentos.Mas em dezembro de 2002, Pyongyang reativou o seu reator nuclear em Yongbyon e expulsou do país dois monitores nucleares das Nações Unidas. Desde então, o andamento do programa é desconhecido.Se o reator estava funcionando, supõe-se que teria sido possível enriquecer plutônio para construir uma bomba por ano. Mas segundo a agência de inteligência americana (CIA), um programa nuclear para enriquecimento de urânio estaria produzindo ?duas ou mais? bombas por ano até o meio desta década.Quantas armas nucleares a Coréia do Norte tem?Sem as inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica, a AIEA, é difícil dizer. Os especialistas falam em um pequeno número de bombas, enquanto os Estados Unidos dizem que são ?uma ou duas?. O combustível nuclear armazenado em 1994 poderia ter sido utilizado para fazer as armas, segundo os Estados Unidos.A Coréia do Norte disse que já processou todo o combustível, embora os governos americano e sul-coreano não tenham tanta certeza. O acordo firmado em 2005 não tinha resolvido a questão do impasse?O acordo de 2005 parece ter fracassado totalmente.As questões mais delicadas - como a permissão da Coréia do Sul para que se supervisione seu programa nuclear - não eram mencionadas no acordo. O documento também não determinava o destino das instalações nucleares norte-coreanas nem como seriam feitas verificações futuras.Todos esses pontos teriam de ser resolvidos em conversações futuras e dada a falta de confiança dos Estados Unidos em Pyongyang, há muito espaço para imprevistos. O governo norte-coreano não deixará de ver os Estados Unidos como ameaça, e Washington, por sua vez, não passará a confiar num país que já quebrou o acordo em 1994.Como a crise começou?Em 2002, Bush incluiu a Coréia do Norte no ?eixo do mal?, o que fez com que os asiáticos retirassem seu apoio ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), do qual eram signatários, criando temores de uma guerra nuclear. É muito difícil avaliar quais serão os próximos passos do errático líder norte-coreano Kim Jong-il, mas acredita-se que a questão nuclear seja uma tentativa de negociar um pacto de não-agressão e ajuda econômica dos Estados Unidos.A Coréia do Norte já não fez isso antes?Em 1993, o país passou por crise semelhante, mas foi convencido a suspender as atividades nucleares no ano seguinte, com o acordo de 1994. Em troca, o país receberia óleo pesado e dois reatores para produção de energia que dificilmente poderiam ser usados para se fazer armas. Os reatores seriam feitos por um consórcio chamado Kedo, mas sua construção estava muito atrasada quando a crise começou. Que diferença há entre a crise da Coréia do Norte e a do Iraque, por exemplo?Os casos são diferentes. Os asiáticos são isolados e têm sérios problemas domésticos. Dois aliados americanos - Japão e Coréia do Sul - se esforçam para tentar uma aproximação com o regime de Pyongyang. Além disso, o Iraque não tinha armas nucleares e a derrubada de Saddam Hussein também visava evitar que ele adquirisse tal poder. Com Pyongyang, a alternativa que resta é gerenciar a situação.

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