Entenda a crise nuclear iraniana

Em dezembro de 2002, os Estados Unidos e seus aliados receberam com preocupação a notícia de que o Irã mantinha em seu território instalações nucleares não declaradas à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Para as potências ocidentais, as usinas poderiam ser parte de um programa nuclear secreto com finalidade militar. A informação levou a uma exaustiva queda de braços entre a ONU e Teerã. De um lado, a comunidade internacional reclamava da falta de transparência das autoridades iranianas em revelar detalhes cruciais de seu programa nuclear. Do outro, o Irã - que em alguns momentos chegou a ceder à ONU - manteve a alegação de que era um direito do país desenvolver um programa nuclear com finalidade civil. A crise chegou ao auge no início de 2006, quando Teerã anunciou que retomaria suas atividades de enriquecimento de urânio. Em resposta, a questão foi encaminhada ao Conselho de Segurança da ONU, que agora terá que decidir como procederá diante da resistência iraniana. Veja abaixo os principais momentos da crise. Dezembro de 2002: Uma TV dos EUA mostra imagens de satélite de duas instalações nucleares iranianas, até então desconhecidas. Outubro de 2003: Irã diz que sua finalidade é pacífica e aceita assinar um compromisso, pelo qual se sujeita a inspeções mais amplas e de última hora. Novembro de 2004: O Irã concorda em congelar todas as atividades relacionadas à produção de urânio enriquecido - que pode ser usado tanto para usinas de energia elétrica como na fabricação de armas. Fevereiro de 2005: Surgem informações de que o pai da bomba atômica do Paquistão passou ao Irã know-how sobre a fabricação. Julho de 2005: Mahmud Ahmadinejad é eleito presidente do Irã. Alinhado com os radicais do regime, adota um discurso anti-Ocidente. Agosto de 2005: O Irã rejeita proposta dos europeus de lhe conceder incentivos econômicos em troca do abandono do enriquecimento de urânio. Janeiro 2006: O governo iraniano anuncia a retomada da pesquisa para enriquecimento de urânio. Fevereiro 2006:: A direção da AIEA aprova resolução encaminhando a questão ao Conselho de Segurança da ONU. Irã e Rússia negociam proposta de que urânio seja enriquecido em usinas russas. 06 de março 2006: Reunião da AIEA decide pelo envio da questão iraniana ao Conselho de Segurança da ONU. O órgão tem o respaldo para impor sanções econômicas e militares ao país. Março 2006: Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - EUA, Reino Unido, França, Rússia e China - optam pela adoção de uma advertência pedindo que Teerã encerre suas atividades nucleares até o dia 28 de abril, mesma data marcada para a entrega do relatório da AIEA sobre a colaboração do Irã. 28 de abril de 2006: Termina o prazo estipulado pelo Conselho de Segurança. O órgão terá agora que definir como proceder diante da resistência de Teerã, que não congelou seu programa de enriquecimento de urânio como havia sido definido em março. Em um primeiro momento, o CS deverá adotar uma resolução tornando o cancelamento das atividades com urânio obrigatória. Caso o Irã continue resistindo, o caminho estará aberto para a adoção de sanções ou mesmo de uma ação militar contra o país.

Agencia Estado,

28 Abril 2006 | 15h47

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