Entenda a crise pós-eleitoral do Quênia

Oposição contesta reeleição do presidente Mwai Kibaki; violência é incrementada por rivalidades tribais

REUTERS

01 de janeiro de 2008 | 14h02

Dezenas de pessoas morreram em confrontos violentos no Quênia desde domingo, após a confirmação da reeleição de Mwai Kibaki, atual presidente do país. O líder da oposição Raila Odinga contesta o resultado, que também foi questionado por observadores da União Européia (UE).  Kibaki chegou ao poder em 2002 prometendo "limpar" o Quênia após 40 anos de governo de dois homens do mesmo partido. O pleito foi amplamente elogiado, contrastando com eleições anteriores.  Mas em 2007 a situação parece ter regredido. Observadores eleitorais da UE criticaram a apuração dos votos. Segundo eles, alguns dos resultados lidos em Nairóbi diferiam dos números declarados nas sessões eleitorais. Há ainda a suspeita de que eleitores "fantasmas" também foram às urnas. Em algumas áreas, o comparecimento ultrapassou os 115%. Mas além da questão política, os embates entre seguidores de Kibaki e Odinga possuem também um forte componente étnico, já que as rivalidades entre as diferentes tribos do país são uma realidade da vida no Quênia.  Os 36 milhões de quenianos se dividem em mais de 40 grupos étnicos distintos. Segundo estatísticas do governo, os principais grupos são: os kikuyu (22% da população), luhya (14%), luo (13%), kalenjin (12%) e kamba (11%).  O atual presidente Kibaki é kikuyu, grupo que vive principalmente no planalto central do país e que exerce forte poder econômico.  Já o oposicionista Odinga é da etnia luo, natural do oeste do Quênia. A base eleitoral de Odinga em Nairóbi fica em Langata e inclui uma das maiores favelas da África, cuja população luo é fanaticamente ligada a ele.  Embora elogiado internacionalmente por permanecer em relativa paz desde sua independência, em 1963, o Quênia também costuma ser criticado por não ter se esforçado para resolver os tribalismos arraigados na população.  Enfrentamentos étnicos são comuns no Quênia, especialmente em épocas de eleição. Os piores incidentes ocorreram em 1992, quando cerca de 1.500 pessoas morreram em disputas fundiárias motivadas por questões tribais na região do vale Rift. Cinco anos mais tarde, outras 200 pessoas morreram, principalmente em choques na cidade turística de Mombasa.

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