Toby Melville / Reuters
Toby Melville / Reuters

Entenda as discussões e a crise do Brexit em sete artigos

Para ter esperanças de que o acordo seja aprovado, Theresa May precisa convencer pelo menos 75 de seus próprios legisladores rebeldes; saiba mais sobre a polêmica em torno do assunto

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2019 | 10h37

O governo britânico voltará a apresentar aos deputados pela terceira vez nesta sexta-feira, 29, o acordo do Brexit negociado pela primeira-ministra Theresa May com a União Europeia (UE), quando termina o prazo estabelecido por Bruxelas para estender a saída para maio.

+ O glossário do Brexit: do ‘backstop’ ao Artigo 50

Para ter esperanças de que o texto seja aprovado, May precisa convencer pelo menos 75 de seus próprios legisladores rebeldes. Muitos deles pediram que a premiê deixe o governo e a negociação com Bruxelas. Recentemente, ela prometeu renunciar assim que o país deixar o bloco. Entenda as discussões e a polêmica em torno da crise do Brexit nos sete artigos abaixo.

Empresas que se prepararam para um Brexit sem acordo adiam planos

Em 18 de maio de 1536, Ana Bolena, a segunda esposa de Henrique VIII, preparou-se para morrer. Sua execução na Torre de Londres estava marcada para as 9 horas da manhã. Mas a decapitação foi adiada, até que finalmente a rainha foi informada de que só iria morrer no dia seguinte. Não era “que ela desejasse a morte”, escreveu um cronista na época, "mas se achava preparada para morrer e temia que o atraso a enfraquecesse". Empresas preparadas para um Brexit sem acordo podem ter empatia por ela. Aquelas com planos de contingência para 29 de março certamente se sentem aliviadas com o fato de o governo estar tentando estender as negociações do Artigo 50. Leia mais aqui.

Pelo bem da Europa, os europeus britânicos deveriam receber essa última chance

Quando os líderes europeus discutirem o Brexit, devem ter em mente uma questão fundamental: a UE é apenas uma união de governos ou é também uma Europa de cidadãos, povos, democracia e destino? Se for apenas a primeira opção, eles devem continuar na atual linha de Bruxelas de tentar ajudar o governo (na medida em que ele ainda exista) da primeira-ministra britânica Theresa May a conseguir um acordo sobre o assunto, e o Reino Unido fora da UE o mais rápido possível. Se a Europa é também a última opção, como o presidente francês Emmanuel Macron argumentou eloquentemente, então eles devem reconhecer que o governo de May é o problema, não a solução, e dar tempo para os cidadãos, povos e democracia da Grã-Bretanha trabalharem até encontrar o melhor caminho. Leia mais aqui.

Erro do Brexit será legado irreversível

Um dos grandes pontos fortes da democracia é que políticas ruins são em geral revogadas. Isso é um consolo quando olhamos para a enxurrada de programas demagógicos sendo promulgados enquanto a onda populista percorre o mundo ocidental. Quando um novo governo é eleito, as coisas podem ser desfeitas. Com exceção do Brexit, que, se for levado adiante, poderá ser o legado mais profundo desta década. O Reino Unido, famoso pela prudência, decoro e pontualidade, repentinamente se parece com uma república das bananas ao tomar decisões imprudentes, deturpar a realidade e agora querendo mudar o próprio prazo autoimposto. Mas se ela realmente sair da União Europeia, será uma má notícia para o Reino Unido, para a União Europeia e para o Ocidente. Leia mais aqui.

Melhor para May é esquecer tudo e começar Brexit do zero

O que acontece quando as derrotas históricas se tornam comuns? Mais uma vez, a primeira-ministra Theresa May arrastou seu plano para o Brexit à Câmara dos Comuns. Quando se trata do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, o único problema que a ocupa desde que assumiu o cargo, em julho de 2016, May é completa e definitivamente impotente. E seu inimigo mais perigoso não é uma obstinada União Europeia ou mesmo o Partido Trabalhista da oposição, mas a fanática ala de direita de seu próprio Partido Conservador. Seus detratores mais brutais sentam-se atrás dela durante as votações no votos no Parlamento e, em seguida, visitam estúdios de rádio e televisão, alegremente criticando-a o resto do tempo. Leia mais aqui.

Para obter o que quer, Reino Unido precisa falar ‘europeu’

Uma antiga charge da revista New Yorker mostra um homem de meia idade em um coquetel dizendo a outro: “Mas agora chega de falar sobre você, vamos falar de mim!”. Este é o Reino Unido do Brexit conversando com o restante da Europa. Na verdade, todas as nações estão obcecadas com seus assuntos. Uma piada polonesa diz que o verbete para elefante na enciclopédia polonesa diz “o elefante e a questão polonesa”. Mas a maioria dos países europeus tem pelo menos alguma sensibilidade para acompanhar o que está acontecendo ao redor. Leia mais aqui.

A UE é uma boa ideia que deu errado

Quando observamos o Reino Unido sofrendo com as agonias relacionadas ao Brexit, é fácil achar que a decisão de deixar a União Europeia é um ato de loucura, uma ferida autoprovocada que empobrecerá os britânicos nos próximos anos. A Europa é o maior mercado do Reino Unido, respondendo por quase a metade das exportações do país. Perder o acesso especial à UE será um alto preço a pagar em troca de alguns ganhos simbólicos em termos de soberania. Leia mais aqui.

Negociações duras foram um ‘sucesso catastrófico’ da UE

A União Europeia adotou uma linha dura ao negociar seu divórcio com o Reino Unido, desejando preservar sua unidade e desencorajar outros países a deixar o bloco. Agora, a UE teme ter conseguido “um sucesso catastrófico”. A política britânica está em colapso após a rejeição no Parlamento do acordo negociado pela premiê Theresa May - e não há plano alternativo convincente, faltando apenas dez semanas para o Brexit. As autoridades da UE estão preocupadas com a possibilidade de os britânicos saírem sem nenhum acordo, o que muitos analistas alertam que poderia causar uma recessão no Reino Unido - e na Europa, por tabela, já que mais de 40% do comércio britânico é com o bloco. No entanto, eles não têm como fazer novas concessões agora, já que May perdeu o controle do processo. Leia mais aqui.

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