Erica Canepa / Bloomberg
Erica Canepa / Bloomberg

Entenda as diversas investigações que envolvem Donald Trump

Presidente e pessoas próximas a ele são alvo de ações da Justiça americana que investigam desde relação com os russos até supostas fraudes fiscais da família Trump

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2018 | 11h56

WASHINGTON - O comparecimento na Justiça na terça-feira, 19, de Michael Flynn, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Donald Trump, e a dissolução da fundação beneficente do presidente dos Estados Unidos ilustram o avanço das inúmeras investigações judiciais das quais o magnata e pessoas próximas a ele são alvo. Veja abaixo quais são elas.

Conluio com a Rússia

Em maio de 2017, o procurador especial Robert Mueller recebeu a tarefa de investigar "qualquer vínculo e / ou coordenação entre o governo russo e as pessoas ligadas à campanha do presidente Donald Trump", assim como "qualquer tema" que surja "diretamente" dessas investigações. Nenhuma evidência foi revelada até o momento.

Os investigadores estão particularmente interessados em uma reunião de junho de 2016 na Trump Tower, em Nova York, com uma advogada russa que afirmava ter informação comprometedora sobre a então candidata democrata Hillary Clinton. Paul Manafort, então diretor de campanha do candidato republicano, o filho mais velho do presidente, Donald Jr., e seu genro e assessor, Jared Kushner, teriam ido a esse encontro.

Mueller também quer saber se Roger Stone, assessor informal de Trump, chegou a um acordo com a plataforma WikiLeaks para divulgar, em 2016, milhares de e-mails do Partido Democrata. O conteúdo prejudicou a campanha de Hillary. Até agora, a Justiça indiciou 25 supostos agentes da inteligência militar russa (GRU) por ingerência na eleição americana.

Flynn e o ex-assessor diplomático George Papadopulos se declararam culpados de terem mentido para o FBI (Polícia Federal americana) sobre seus contatos com funcionários russos de alto escalão durante a campanha eleitoral nos EUA.

Manafort foi declarado culpado por fraude fiscal por eventos anteriores a 2014, quando era assessor do governo ucraniano pró-russo. Também admitiu ser culpado por obstrução à Justiça.

Michael Cohen, ex-advogado pessoal de Trump, foi condenado a três anos de prisão por ter omitido contatos com a Rússia. Eles estariam relacionados a um projeto imobiliário em Moscou em 2016, no auge da campanha presidencial.

Obstrução de Justiça

Donald Trump é suspeito de obstrução de Justiça por ter demitido o então diretor do FBI, James Comey, em maio de 2017. Na época, Comey dirigia a investigação sobre a ingerência russa na campanha presidencial. A demissão levou à designação do procurador especial.

Antes, o presidente havia pedido a Comey que não investigasse Flynn e pareceu contemplar a possibilidade de indultar vários de aliados mais próximos se fossem condenados, entre eles Flynn e Manafort.

Financiamento de campanha

Condenado no dia 12 de dezembro a três anos de prisão, Cohen admitiu ter pago US$ 280 mil a duas mulheres, pouco antes da eleição, para evitar que falassem em público sobre seu affair com Trump. Ele nega categoricamente.

Por supostamente também visar influenciar o resultado da eleição, esses pagamentos deveriam ter sido incorporados às contas de campanha do candidato republicano, segundo a Justiça.

O magnata garante que nunca pediu a seu advogado que violasse a lei. Cohen diz, por sua vez, ter agido "sob as ordens" de Trump. O presidente admitiu que reembolsou o advogado nos cerca de US$ 130 mil dólares entregues à atriz pornô Stephanie Clifford - conhecida na indústria como Stormy Daniels.

Fundação Trump

O presidente é acusado de usar sua fundação - na qual seus filhos Donald Jr., Eric e Ivanka ocupam cargos de diretoria - para promover seus hotéis e clubes de golfe, e arrecadar fundos relacionados à campanha eleitoral, o que é proibido por lei nos EUA.

A fundação teria gasto indevidamente cerca de US$ 2,8 milhões. A investigação lançou luz sobre a sobreposição entre a Fundação e a Organização Trump. Este grupo supervisiona os ativos do presidente, mas, após sua chegada à Casa Branca, ele entregou sua administração a seus dois filhos mais velhos. Ao mesmo tempo, manteve suas ações, o que poderia representar um conflito de interesses. Na terça-feira, a Fundação anunciou sua dissolução, mas a investigação judicial continua.

Hotel Trump

O Trump International Hotel de Washington está sob investigação pela receita obtida por seu proprietário de governos estrangeiros, em violação da Constituição americana. Na expectativa de atrair os favores do presidente, as delegações estrangeiras preferem este hotel de luxo situado perto da Casa Branca.

Juramento

Segundo o Wall Street Journal, a Justiça está investigando os US$ 107 milhões em doações recebidos pelo comitê responsável por organizar a cerimônia de posse de Trump em janeiro de 2017. Suspeita-se que os doadores possam ter contribuído para o ato em troca do acesso privilegiado a integrantes do governo.

Fraude fiscal

A Receita analisa denúncias de fraude contra a família Trump, que, segundo o jornal The New York Times, não informou centenas de milhões de dólares em rendimentos nos anos 1990. / AFP

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